Mulheres em cargos de chefia comentam a ascensão e remuneração do mercado trabalho

Gabriela Ferigato

 
Pela primeira vez em seus 172 anos de história, a tradicional revista britânica The Economistpromoveu uma mulher ao cargo mais alto da publicação, o de editora-chefe. Zanny Minton Beddoes assumiu a função em janeiro deste ano. Em contraponto, até maio de 2014 as redações de dois grandes jornais do mundo – The New York Times e Le Monde – eram comandados por Jill Abramson e Natalie Nougayrède, mas que perderam seus inéditos postos por motivos semelhantes.

Uma das justificativas que circularam sobre o caso de Jill, do NYTimes, é que a profissional descobriu que seu salário era inferior ao de seu antecessor, Bill Keller. Pousando em terras brasileiras, a presença feminina já é majoritária por aqui (64% dos profissionais em atividade), mas isso não reflete no salário e no acesso aos cargos de chefia, de acordo com a pesquisa “Perfil profissional do jornalismo brasileiro”, realizada pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina, com o apoio da Fenaj, da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ). 

Cida Damasco, primeira editora-chefe em 136 anos de O Estado de S. Paulo, enxerga a ascensão do público feminino nas redações e em funções de chefia como uma evolução natural do mercado. Em sua longa carreira, como define, só pontua uma única ocasião em que ser mulher a impediu de conquistar um cargo. 


Crédito:Divulgação
Cida Damasco, do jornal O Estado de S. Paulo


“Muito no começo de minha carreira, eu estava em uma lista para ser promovida – a ‘disputa’ era entre eu e um homem – e não consegui. Ouvi o argumento ‘você pode esperar, o que ia fazer com esse aumento? Comprar maquiagem? Depois disso nunca tive nenhum problema de preconceito ou remuneração”, destaca.

NUANCES

Apesar de nunca ter sentido na pele qualquer impedimento em relação à ascensão ou salário em sua trajetória, Lucia Faria, fundadora da empresa de comunicação corporativa que leva seu nome, acredita que a maternidade ainda pode ser um fator que barra a entrada de mulheres em funções de chefia.
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Lúcia Faria, da Lúcia Faria Inteligência em Comunicação


“Eu não tive a maternidade, e não foi pela profissão. Mas acho que a diretoria fica para os homens. Talvez ainda exista o pensamento ‘Ela está com trinta anos, vou dar esse cargo de chefia, mas daqui a pouco ela engravida e me deixa na mão. As mulheres ascenderam sim, mas tem uma hora que estabiliza. Falta as pessoas entenderem que conseguimos conciliar várias tarefas”, afirma.

Ana Estela de Sousa Pinto, editora do caderno “Mercado” da Folha de S.Paulo, não vê barreiras na ascensão de mulheres na área. A jornalista comanda uma equipe com quatro repórteres especiais, dois adjuntos e três assistentes, sendo composto por duas mulheres na primeira área, uma na segunda e duas na última. 

“Eu entrei no jornalismo da Folha em uma época de muita mobilidade, as pessoas assumiam postos de chefia relativamente jovens. Aqui é bastante comum ver mulheres nessas funções e não vejo discriminação. A Eleonora de Lucena foi diretora-executiva, hoje cargo exercido pelo Sérgio Dávila, por mais de dez anos”, lembra.

Há dois anos, ao assumir a gerência da Rádio Estadão, a responsabilidade de Paula Marinho mais do que triplicou. A jornalista, hoje aos 36 anos, pontua que no começo havia certa resistência em aceitar uma pessoa da mesma idade dos demais funcionários comandando uma equipe. 
Crédito:Divulgação
Paula Marinho, da Rádio Estadão


“Sentia como se todos os dias tivesse que matar um leão para mostrar minha capacidade. Acho, isso é minha opinião, que o fato de ser mulher talvez incomodasse também. Eu tive que conquistar meu espaço. Hoje me sinto confortável no cargo, conquistei respeito”, afirma. 

Acompanhando o meio em que atua, a profissional destaca que fica muito feliz ao observar que muitas mulheres ocupam cargos de chefia no rádio, como Thays Freitas, editora-executiva da Rádio Bandeirantes; Mariza Tavares, diretora executiva da rádio CBN e Sheila Magalhães, editora-executiva da BandNews. “Isso mostra que cada vez mais mulheres ocupam espaço no mercado”. 

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