"Cada matéria marca a gente de uma maneira especial", revela Elaine Bast

Vanessa Gonçalves

 
Jornalismo é, antes de tudo, informação. Quem trabalha com a notícia e lida com informações sobre tantos assuntos diariamente acaba aprendendo e tirando lições da experiência de vida de outras pessoas. 

Com a jornalista Elaine Bast, da TV Globo, notícia e informação foram fundamentais quando se deu conta, um dia após uma reportagem sobre câncer de mama, que ela acabava de entrar para a estatísticas, deixando de ser uma repórter para se tornar uma paciente.

Crédito:Reprodução

Elaine Bast comenta como foi descobrir câncer após reportagem sobre o tema

Porém, seguir a informação, ferramenta que ajudou Elaine a enfrentar o câncer de mama, não era sua primeira opção profissional. Embora desde criança tenha gostado de contar e ouvir histórias, ela queria seguir a carreira do pai e se tornar economista. "O Jornalismo não foi minha primeira opção na faculdade. Não havia jornalistas na minha família. E, em geral, a gente se mira em alguém próximo quando decide construir carreira. Mas no segundo ano de faculdade percebi que, apesar de gostar de Economia, queria contar histórias. Ajudar as pessoas com meus textos". 

A aspirante a jornalista pediu demissão do banco no qual trabalhava e com o dinheiro que tinhaguardado na poupança paguei o primeiro ano da faculdade de jornalismo. "Terminei Economia na USP e o curso de Jornalismo na Cásper Líbero. Consegui o meu primeiro emprego na área na Gazeta Mercantil, onde fiquei por dois anos cobrindo mercado financeiro até ir para a Globo", relembra.

Ao passar a correr atrás da notícia, Elaine Bast passou a viver experiências marcantes. "Cada matéria marca a gente de uma maneira especial. Algumas pela felicidade que nos trazem, outras pela tristeza, outras pela revolta ou ainda pela impotência diante de situações que não podemos mudar". 

Um dos casos que mais mexeu com o coração da jornalista deu-se quando esteve nos Estados Unidos e contou a história de dois irmãos que, na opinião dela, são exemplo de união. Caidam, o mais novo, nasceu com paralisia cerebral. O mais velho, Conner, então com 9 anos, encontrou uma maneira de se conectar com ele por meio do esporte. Para isso, começou a levar o irmão para participar de competições de triatlon. Com a ajuda do pai, adaptou o carrinho do irmão para que ele pudesse participar de todo o trajeto. 

"Não ganhavam as competições. Mas ganhar não importava, ele me disse na entrevista. O que ele mais gostava era do desafio e de ver o irmão feliz. E Caidam estava sempre com um sorriso no rosto. A atitude de Conner mudou a família toda. A comunidade toda. Os meninos foram eleitos os atletas mirins do ano por uma revista de esporte americana respeitada em 2012. Aprendi muito com esse menino. Esse é um dos privilégios dessa profissão".

Poder da notícia

Jornalismo também é lição de vida. Para Elaine, uma das inúmeras matérias de saúde que produziu em sua carreira acabou sendo determinante para enfrentar os medos na batalha contra o câncer. A jornalista descobriu que tinha a doença um dia após reportagem sobre o assunto.

"Eu já havia feito várias matérias sobre câncer. A que fiz no dia anterior ao resultado positivo que recebi foi exatamente sobre a importância dos exames de rotina para a prevenção do câncer de mama. Sempre soube da importância dos exames preventivos por causa das matérias que fazemos todos os anos e talvez por isso nunca tenha deixado de fazê-los. Depois que tive dois filhos a importância desses exames aumentou ainda mais. Mas quando recebemos esse diagnóstico milhões de dúvidas vêm na nossa cabeça. Quando li a palavra “carcinoma" no exame cheguei a duvidar do seu significado, apesar de saber o que era. Foi somente quando consegui conversar com os médicos e fazer uma looooonga entrevista com eles sobre o que era o problema que tinha é que fiquei mais tranquila".

Elaine diz que descobriu que, apesar de tantas matérias sobre o tema, ainda sabia pouco sobre o assunto. Porém, o apoio de uma de suas entrevistadas fez toda a diferença. "A personagem da matéria, Monica, que entrevistei no dia anterior ao meu resultado, se transformou em uma querida amiga. Ela já tinha passado pelo que eu ia passar e todos os dias praticamente nos correspondíamos para saber uma da outra. Foi um apoio muito importante. E nesse susto percebi também como tenho amigos queridos e uma família maravilhosa. Tudo isso foi muito importante para que tudo desse certo durante esse processo".

 Partindo de sua própria experiência, a jornalista afirma que há muito espaço para matérias de saúde na imprensa. "O desafio é fazer com que isso tudo chegue de maneira didática ao leitor ou ao telespectador. E ser didático na área da saúde, a exemplo da economia, é um exercício criativo e recompensador", garante. 

Importância da informação 

Em diversas entrevistas, Elaine ressaltou a importância da rotina de exames periódicos para evitar um câncer mais severo. Agora, ela pensa em como informar seu público e as mulheres ao seu redor sobre isso.

"Tenho amigas que me confessaram: nunca fizeram exame periódico porque disseram não ter o perfil para ter câncer de mama. Eu digo para elas: na minha família ninguém teve câncer de mama. Eu tive dois filhos, amamentei, sempre tive uma alimentação saudável, faço ginástica. Tenho 42 anos. Pelas regras da Organização Mundial da Saúde eu não precisaria nem me submeter à mamografia. Hoje eles recomendam a partir dos 50 anos apesar da Sociedade Brasileira de Mastologia recomendar a partir dos 40. E foi graças ao exame de mamografia - que teoricamente eu não precisaria fazer - que foi descoberto o câncer nessa fase inicial", diz. 

O caso da jornalista foi descoberto em uma fase tão inicial que nem precisou fazer quimioterapia após a cirurgia. Ela destaca que se tivesse esperado mais sete anos para fazer a mamografia, como recomendado pela OMS, provavelmente o câncer já teria se espalhado. E dá uma bronca na mulherada: "Para quem tem plano de saúde privado, não tem desculpa: tem que fazer exame de rotina todo ano". 

"Uma manhã da nossa vida que vale por ela toda. Infelizmente, para quem depende do sistema público de saúde, a situação é diferente. Aí entra o nosso papel de jornalista, denunciar onde há demora e falta de atendimento para que todas as mulheres tenham acesso a esses exames".

 Apesar de ter tido um câncer menos severo, Elaine Bast recebeu a recomendação dos médicos de tirar uma das mamas. Prevenida, optou pela mastectomia dupla, uma decisão nada fácil para uma mulher. E ressalta que a reconstrução mamária não é um símbolo de vaidade, mas parte essencial na luta contra o câncer.

"Eu tive o privilégio de fazer a cirurgia de reconstrução mamária logo após a retirada das mamas. E queria ressaltar que a reconstrução da mama na mesma cirurgia não é estético, não é vaidade. É parte fundamental no tratamento do câncer. Não pode ser deixada para depois", afirma.

Renovada e cheia de planos, Elaine pensa no futuro a longo prazo, sem medos. Para ela, a vida voltou ao normal. "Já voltei ao trabalho, à rotina da casa. Planos para o futuro: ver meus filhos se formarem, se casarem e sempre continuar trabalhando"

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