“Qualquer um agora segura um microfone e se diz repórter”, critica Monalisa Perrone

Luiz Gustavo Pacete | 23/02/2012 17:50
A crítica de Monalisa Perrone, repórter da TV Globo, vem acompanhada com o desabafo de que atualmente qualquer um se auto-intitula jornalista. Perrone tem 20 anos de carreira e viu nessas duas décadas mudanças significativas e preocupantes no ofício. 

Monalisa Perrone
Apesar dos motivos para preocupação, a jornalista ama o que faz e não omite que trabalha muito. Quando falou com IMPRENSA, Monalisa terminava de cobrir o julgamento do caso Eloá e quase sem descanso entrava na cobertura do carnaval paulista. “Vida de repórter”. É assim que ela classifica essa dinâmica cansativa, mas prazerosa. 

Monalisa venceu pelo terceiro ano consecutivo o Troféu Mulher Imprensa na categoria Repórter de Telejornal.  Ela atua na TV Globo desde 1999, mas já passou pela Rádio Jovem Pan e pelo Grupo Bandeirantes, onde atuou na TV e no rádio.

Monalisa falou à IMPRENSA sobre o que representa a premiação e sua visão sobre o atual momento do jornalismo. 

IMPRENSA – Quais foram as mudanças na profissão em 20 anos de carreira?

Monalisa Perrone - O mercado mudou demais nesses 20 anos. Hoje não é preciso mais se preparar, amadurecer e entender o que é notícia para atuar na área. É incrível, mas, qualquer um segura um microfone ou um gravador e se diz repórter. Lembro muito bem dos meus primeiros chefes de redação me ensinando a checar um fato, a ouvir todos os lados para depois então escrever sobre ele com a clareza que se espera de quem, de verdade, sabe o que está acontecendo. A rapidez que se espera hoje na transmissão de uma notícia é um perigo. Banaliza a profissão. 

Seria esse o principal ponto negativo na profissão?

Existem outros. Trabalha-se demais. Não há pausa...nunca! Acabei de sair da cobertura do julgamento do caso  Eloá e estou agora me preparando para encarar a transmissão do Carnaval  em SP. A gente vira uma espécie de "zumbi" que não dorme, não come e perambula por aí. (brincadeirinha).

Mas tem a contrapartida agradável?

Conhecer tanta gente especial. O jornalismo te coloca frente a frente com todo o tipo de pessoa contando as mais interessantes histórias. Nenhum dia foi igual ao outro nesses meus 20 anos de reportagem.

Tem algum trabalho que gostaria de destacar? 

Para mim, o trabalho de maior destaque é aquele que mais me marca: impossível apagar da memória a cobertura das quedas de dois aviões da TAM nos arredores do aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. O primeiro foi em 96 e o segundo mais recentemente em 2007. Manter o equilíbrio emocional numa cobertura tão pesada foi desafiador e marcante demais pra sempre. 

O que representa o Troféu Mulher Imprensa para você?
 
É um incentivo daquele que nos ajuda a continuar trabalhando com vontade e brilho nos olhos.

Algum conselho para quem está começando?
 
Meu conselho para quem quer entrar na faculdade de jornalismo é um exercício: ouvir mais do que falar. Pode parecer um conselho simplista, mas não é. Quando a gente ouve de verdade uma história consegue perceber os detalhes e os sentimentos que realmente tem a ver com aquele fato. Captado tudo isso não há dúvida que a história que você vai contar terá algo de especial.

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