"Uma hora a conta não fecha", diz Felipe Machado sobre conteúdo digital gratuito

Guilherme Sardas | 12/09/2012 15:04

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Diretor de Mídias Digitais do Diário de São Paulo e da Rede Bom Dia, Felipe Machado é um dos palestrantes de hoje do seminário Mídia.JOR, que acontece nesta quarta e quinta-feira (12 e 13/9), no Sesc Santana, em São Paulo. O evento é promovido por IMPRENSA. 


Para Felipe, é inegável que as mudanças tecnológicas têm exigido o surgimento de um novo tipo de profissional, ou seja, o jornalista com domínio das ferramentas exigidas por um ambiente multiplataforma como a internet. Tal quadro, segundo ele, não chega a agravar as questões éticas do exercício cotidiano do jornalismo, mas pede novas discussões.


“Hoje, qualquer um pode tirar uma foto ou escrever um texto na internet, mas esse cidadão comum não está muito preocupado com ética, ele quer espalhar conteúdo. O que diferencia essa pessoa do jornalista é essa preocupação ética.”


Outra discussão premente nos bastidores dos diários é a cobrança de conteúdos na Internet como o paywall, já abraçado por jornais como The New York Times e, no Brasil, pela Folha S. Paulo e Zero Hora. Segundo o jornalista, o Diário de S.Paulo ainda não cogita tal modelo. “Nosso jornal é popular, não dá para tratar esse assunto da mesma forma que outros, como o NYT e os mais segmentados É difícil convencer o leitor que agora terá que pagar pelo conteúdo. Hoje, estamos estudando outras saídas para gerar lucro no ambiente digital, como a possibilidade de pagamento do  conteúdo para i-pads, que atualmente é gratuito”.


Felipe ressalta ainda que a mídia digital perdeu a oportunidade de cobrar por conteúdo muito anos antes. “O conteúdo de web tem todo um custo de operação, como o pagamento de profissionais e viagens para cobertura. Ao mesmo tempo, esté tudo gratuito. Tem um momento que essa conta não fecha", finaliza.