"Saiam e explorem o mundo", diz David Rohde em entrevista ao mídia.JOR

Luiz Vassallo* | 13/09/2012 21:30

Nesta quinta feira (13/9), durante o painel "GrandesEntrevistas", do seminário Mídia.JOR, realizado por IMPRENSA, o jornalistaRoberto Cabrini, do SBT, entrevistou David Rohde, colunista de assuntos internacionais daReuters e ganhador de dois prêmios Pullitzer. Durante aentrevista, recordou principais coberturas que realizou, além de dissertarsobre a apuração jornalística em situações de conflito armado.

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Crédito:Alf Ribeiro
Correspondente da Reuters relatou sua experiência no jornalismo


Pouco antes da entrevista, Sinval de Itacarambi Leão, diretor de IMPRENSA, discursou sobre o andamento do Mídia.Jor. Destacou a interatividade entre palestrantes e plateia como um dos objetivos alcançados pelo evento. “Certamente, acontecerá outro no ano que vem”, prometeu.

Cabrini, que apresenta o programa “Conexão Repórter”, iniciou a entrevista questionando Rohde sobre sua autodescrição como profissional. O jornalista que atuou durante 15 anos como repórter investigativo do The New York Times recordou tanto as situações de violência pelas quais passou quanto dos prêmios que ganhou, entre elas, o massacre de Srebrenica, em que mais de oito mil bósnios muçulmanos foram assassinados. “Fico muito surpreso com o que passei“, afirmou.

O jornalista do SBT também perguntou sobre o conflito que Rohde cobriu na Bósnia, onde também acabou sendo preso. Rohdes recordou que, quando passou pelo cárcere foi interrogado. “Queriam que eu delatasse muçulmanos, mas eu não falei nenhum nome”.

Ainda sobre sua cobertura sobre o massacre dos muçulmanos na Bósnia, declarou que “foi uma limpeza étnica” e ainda atribuiu responsabilidades ao governo americano pelo não envolvimento com o conflito. “Mesma coisa que a síria hoje. Você vai mandar armas para os opositores ou vai sentar e esperar as pessoas morrerem?”, indagou.

Rohde ainda comentou sobre quando foi sequestrado pelo Talibã, no Afeganistão, e levado para a fronteira com o Paquistão durante correspondência para o The New York Times, em 2008.  “Eles me trataram bem. Me deram água e nunca bateram em mim, mas eles achavam que eu era valioso e cobraram 25 milhões pela minha libertação”, recorda o jornalista que, quando voltou para casa, desculpou-se com a mulher com a qual estava casado há apenas nove meses.

Durante a entrevista, Cabrini ainda citou a dificuldade de ouvir os dois lados de um conflito armado e perguntou a Rohde como ele procura resolver esse problema.“Os grupos de guerrilha tornam impossível o trabalho do jornalista de ouvi-los, você acaba conseguindo contato com eles quando é sequestrado e, às vezes, a única forma de conseguir informação era acompanhando o exército”, respondeu o jornalista, que ainda afirmou ter feito seu melhor para não apenas adotar a versão do conflito contada pelo exército americano.

Sobre sua passagem pelo Brasil, Rohdes ainda destaca que está procurando desvendar principalmente a economia do país no aspecto do surgimento de uma nova classe média. “Também estou tentando associar os problemas, assim como a corrupção e as reformas necessárias na educação e na política”, declarou.

Uma das perguntas da plateia tratou sobre a possibilidade de Rohde se arrepender de alguma cobertura. “Se você está tentando noticiar um conflito em que morreram 8000 pessoas, arrisque sua vida, mas se você está apenas querendo conseguir uma entrevista com o comandante do Taliban, não o faça. Arrependo-me do que aconteceu no Afeganistão, mas não do que aconteceu na Bósnia”, finalizou o jornalista.


* Com supervisão de Vanessa Gonçalves