"Não brincamos com a notícia", garantem Paulo Soares e Antero Greco, da ESPN

Vanessa Gonçalves | 16/11/2012 16:30

Diariamente, os amantes do esporte esperam ansiosamente as noites paraacompanhar, na ESPN, o "Sportscenter". Não só porque o telejornalesportivo traz conteúdo de qualidade, mas porque a dupla de apresentadoresPaulo Soares, o Amigão, e Antero Greco, criaram um jeito diferenciado de fazerjornalismo com humor, sem perder o foco na notícia.


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Crédito:Divulgação
A dupla do "Sportscenter" se prepara para um novo programa na ESPN

Há 12 anos no ar com o Sportscenter, os jornalistas acabam de ganharum programa com estreia marcada para março de 2013. Na nova atração, garantemque a irreverência estará presente ao lado de pautas diferenciadas ao estiloAmigão e Antero de ser.

IMPRENSA conversou com a dupla no evento de lançamento da programaçãoda ESPN para 2013. Acompanhe a entrevista.

IMPRENSA: Vocês estão há 12 anos apresentando um programa, cujo modelo veioimportado dos EUA. Como conseguiram fazer com que ele tivesse sucesso noBrasil?

Amigão: Tínhamos como referência o "Sportscenter" americano,mas lá no começo, há 12 anos, não tínhamos toda a estrutura de tecnologia dearte que temos hoje. Acho que isso foi importante porque começamos indo para oar sem aquela moldura que os americanos já tinham, porque acabamos nosdestacando naturalmente.

O "Sportscenter" Brasil foi se formatando com o tempo?

Amigão: Fomos desenhando um programa com o nosso perfil, com a nossacara, mas, claro, sempre preocupados com a informação e a opinião. Acho quedemos um tom. E depois o Sportscenter foi chegando com essa tecnologiaamericana e passamos a utilizar isso. Aí começou a ficar mais fácil.

Antero: Sempre mantivemos esse padrão que foi uniformizado em outros"Sportscenters" de outras ESPN. Agora, a forma de apresentar foisurgindo com o tempo, aos poucos. Demos a nossa cara, mas não foi assim umnegócio pensado. Inclusive, rompemos uma barreira e percebemos que dava certoapresentarmos o jornal com o nosso jeito. Então, não há aquela coisa marcada"vamos fazer uma graça porque agora é hora de dar risada". Algumasvezes tentaram fazer, mas podamos. Com o tempo, aprendemos que era possívelfazer brincadeiras, como aquela do Kiss e até tirar onda daquele negócios queestávamos fazendo. Mas, o melhor mesmo, são aquelas coisas que, de repente,aparecem quando estamos apresentando.

Amigão: Isso começou a vir muito a partir dos nossos erros. Nóserramos muito. Então, quando errávamos o Antero partia para a brincadeira.Então, aquele erro, ele não ficava como no Jornal Nacional que erra e fica todomundo ali paralisado. Vimos que dava para fazer o programa com naturalidade,sem nada combinado.

Hoje há uma grande crítica ao modelo Tiago Leifert de fazer jornalismoesportivo. Como enxergam isso?

Antero: Na verdade, esse modelo que se fala da descontração chamaatenção por ser na Globo por causa da repercussão absurdamente grande daemissora. Se não me engano, há muito tempo atrás, a Bandeirantestinha programaà noite com um rapaz e uma moça que apresentavam descontraídos há uns 15 anos,mas parece que passou e ninguém lembra. O "Bate-Bola", que é umprograma que temos desde 1998, tem um tom descontraído. Então a Globo percebeue tentou uma coisa diferente, mas que não é nova.

A verdade é que não perdemos o nosso parâmetro. Primeiro, porque somosjornalistas, não humoristas. Somos jornalistas bem humorados, não somoshumoristas. Discutimos muitas vezes na redação sobre isso, pois a graça quefazemos, se tiver graça, tem que ser uma coisa naturalmente, porque não vamosnos meter a fazer graça, porque não vamos saber. Um dia vamos sair da ESPN, maspelo menos podemos dizer que brincamos com o Tio Patinhas, com os americanos daESPN, com o Trajano, com o German, o Palomino, com todo mundo...

Amigão: Não queremos [fazer graça], não é a proposta. Mas acho que olegal é que nos divertimos porque o esporte é um negócio, mas vejo muito comoentretenimento também. Acho importante você ter a crítica e a ESPN é um canalque dá liberdade para todos, que não tem rabo preso com ninguém, tem autonomia,é um canal crítico, cobrador, que investiga, que vai atrás e, às vezes, achoque as pessoas não gostam. Então, tudo isso faz parte de um grande pacote. Enesse pacote também está a descontração, o entretenimento, o viver o esportecom alegria.

Antero:  O negócio é oseguinte: podemos brincar com as instituições, mas não brincamos com a notícia.Não ficamos chutando, dando uma notícia qualquer. Podemos ter dado algumainformação errada, como qualquer meio de comunicação, mas corrigimos. Uma coisaque prego muito na profissão e na vida é o respeito. Podemos fazer críticasfortes, mas com respeito. E, em geral, criticamos o dirigente, a instituição, acompetição e não a pessoa. A não ser que eu saiba mesmo que o fulano é umbandido, picareta...aí eu posso até falar, caso cotnrário não. No meu caso,como comentarista, critico o dirigente, o que ele faz, como ele está exercendoa função dele. Pode fazer isso à vontade exatamente porque o canal nos dá essaliberdade.

Vocês trabalharem juntos facilitou para o sucesso do programa? Sefosse essa dupla, o "Sportscenter" seria diferente?

Antero: Seria outro "Sportscenter", como é outro programaquando não estamos. O que isso tem de bom, tem de ruim, porqueo programa éforte, famoso e respeitado por ele próprio. Mas, claro, que com a gente ganhaeste aspecto da descontração,

Amigão: O bacana é que o programa conseguiu arregimentar um públicoque vai desde o mais jovem ao mais velho. Ele fala para mulheres, para afamília. Não fala só para homem que gosta de futebol e esportes. Ele fala paratodo mundo e isso é uma coisa importante e boa para nós.

Como avaliam essa recente crise da imprensa no Brasil com ofechamentos de veículos históricos e importantes?

Antero: O jornalismo não morre. É a mesma coisa que discutir: vaiacabar o livro? Não. Pode acabar o livro no papel, mas ele vai existir de outraforma, como ebook, de outro jeito. Estamos passando por uma fase detransformação. O [jornalismo] está mudando, então alguns veículos no papelestão desaparecendo, mas também percebe que há portais surgindo e crescendo. Eutenho uma visão tranquila, nem otimista, nem pessimista. Normal. Em algunsmomentos que passamos por um sustos como este de agora com o fechamento do JT,do Diário do Povo, do Marca. Mas antes não tínhamos um site da ESPN, um Terra,um Uol, o site da Globo e o da Record. Os próprios jornais também não tinhamsites, tantas web rádios, tvs a cabo. Acredito que vai sofrer um ajuste comoestá acontecendo agora. O jornalismo não morre.

Amigão: A minha escola é toda do rádio e o que hoje o jornal impressovem vivendo o rádio já vive há muitos anos. O rádio vem vivendo essametamorfose e ele precisa se reinventar a cada dia há muito tempo. Eu credito95% da dificuldade do rádio esportivo aos proprietários das emissoras. Acho queeles são os principais responsáveis [pela crise] porque há qualidade nosjornalistas e radialistas e os eventos estão aí para serem cobertos. Você temmuitos atrativos para passar para o seu ouvinte, tem um potencial de venda numpaís em constante crescimento econômico e a incompetência da maior parte dosdonos de rádio reflete num declínio especialmente do rádio esportivo.

Em 2013, vocês vão apresentar o "Duetto". Como será estenovo programa?

Antero: Vai ter um formato diferente porque, em primeiro lugar, nãovamos estar de terno e gravata. A ideia, que está em gestação, tem váriaslinhas para seguir. Temos ideias, vinhetas, quadros, mas tudo vai depender decomo vamos começar. Um programa não nasce pronto, você vai encontrando afórmula aos poucos. O que a gente tem como ponto de partida é pegar o queaconteceu no fim de semana é fazermos comentários, aprofundar com uma análise,uma brincadeira, com entrevista, mas dando um jeito descontraído. Aí você podepensar que ficar parecido com o "Bate-Bola", com o "É Rapidinho"ou com o próprio "Sportscenter". Alguma coisa necessariamente vai terdesses programas, só que não vamos ter a amarra desses programas, vai ser umprograma nosso.

Amigão: A ideia também é que toda semana possamos ir para rua. O"CQC" brinca muito com a gente, de repente, um dia invadimos oprograma deles e fazemos uma entrevista ou brincadeira ao vivo. Também podemosmostrar como é o trabalho de massagem do São Paulo, já que o Antero gosta muitode massagem...[risos]. Sugerimos gravações na Disney, em Barcelona para entrevistaro Messi...

Antero: Ir para Paris fazer o Ibramovitch, coisas assim,simples....Nós vamos para Arapiraca fazer o jogo do Palmeiras na Série B. Claroque isso falamos brincando, mas é sério também. Pensamos: e se conseguirmos umaentrevista com o Messi? Por que não pensar? Evidente que é difícil, mas se épara pensar algo diferente, algo mais atrevido, esse tipo de pauta faz parte.

Amigão: Temos vontade de ter um estúdio com movimentação, com muitosmotivos esportivos para que possamos andar caso tenhamos um convidado. Um diapodemos colocar uma mesa de pingue-pongue, uma cesta.

Antero: A ideia é fazer algo que não se faz no Sportscenter.

Amigão: O lance é o seguinte: o programa é às 20h30 de segunda-feira.Então, se cuida "Jornal Nacional", se cuida William Bonner!