“Somos artesãos da notícia”, diz Natália Viana sobre a Agência Pública

Luiz Gustavo Pacete | 08/03/2013 17:00
É a segunda vez que a jornalista Natália Viana ganha o Troféu Mulher IMPRENSA, sempre na categoria “Webjornalismo - Repórter de Site de Notícias”. Conhecida nacionalmente por sua atuação no Wikileaks, a jornalista possui trajetória em coberturas relacionadas a direitos humanos. Passou pelo portal Terra, atuou na revista Caros Amigos, foi correspondente da BandNews em Londres e colaborou para vários veículos internacionais. 


Também trabalhou em entidades internacionais como Center for Investigative Journalism de Londres e o Center for Investigative Reporting em Berkeley, nos EUA. Em 2011, ao receber a premiação, Natália aproveitou para anunciar a criação da agência de jornalismo investigativo Pública com foco em produção de reportagens investigativas que possam ser repercutidas por outros veículos.

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Para ela, ser reconhecida novamente em 2013 significa que o público aprovou o trabalho da agência e a proposta de produzir jornalismo investigativo de qualidade. “Nosso projeto é de contribuir para que outros meios possam disponibilizar um bom material investigativo. O tipo de jornalismo que fazemos aqui na pública é como artesanato, somos artesãos da notícia”, conclui. 

IMPRENSA – Você ganha novamente o Troféu Mulher IMPRENSA no aniversário da Pública. O que representa?
Natália Viana – Foi interessante porque lançamos a Pública na premiação de 2011 e agora completamos dois anos.  A ideia da agência já existia mesmo antes do Wikileaks e nós aproveitamos para tratar e produzir reportagens de muitos documentos que não foram repercutidos por outros meios.

Qual a principal proposta da agência?
É poder contribuir para os outros meios, queremos que nossas matérias sejam repercutidas e publicadas. Ninguém paga nada a mais por isso. Nosso desafio é desenvolver matérias que tenham mais tempo para serem trabalhadas e que possam trazer à tona um tipo de jornalismo que muitas vezes acaba não tendo espaço em outros meios por questão de tempo e dinheiro.

Mesmo na internet tem gente interessada em matérias de fôlego?
Cada vez mais. É falso afirmar que as pessoas só querem coisas superficiais, pelo contrário, a internet é um diálogo e existe público para vários formatos, inclusive a grande e bem apurada reportagem. Vejo nosso trabalho como arte,  somos artesãos da notícia pelo tratamento que damos a alguns assuntos.