Jornalistas permanecem em greve e realizam atos públicos por piso salarial no PA

Edson Caldas* | 25/09/2013 17:00
Os funcionários do jornal Diário do Pará e do Portal Diário Online (DOL) estão em greve por melhores condições de trabalho. Os profissionais querem aumento do atual salário, que é de R$ 1.000, e reivindicam um Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR).

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Jornalistas estão em greve desde semana passada

A greve foi deflagrada na última sexta-feira (20/9), ao meio-dia. Desde então, atos públicos são realizados diariamente às 17h, na frente da empresa, fechando a avenida Almirante Barroso, principal corredor de tráfego de Belém (PA).

O objetivo é chamar a atenção dos moradores da cidade que, segundo jornalistas envolvidos nos protestos, já apoiam os profissionais. “Não existe um rechaço, as pessoas entendem que a nossa greve é justa”, informou um porta-voz da comissão de trabalhadores do Diário do Pará e DOL.

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Substitutos dos jornalistas têm cometido erros nas matérias

O Sindicato dos Jornalistas do Pará diz tentar diálogo com a direção do Grupo Rede Brasil Amazônia de Comunicação (RBA), afiliada da Band, desde de abril. Até o momento, a empresa não teria demonstrado interesse em negociar. Com exceção do dia anterior à greve, quando a direção ofereceu R$ 1.300 de salário, além de seis meses de estabilidade. Repórteres e fotógrafos do grupo ganham R$ 1.000 brutos. Com descontos, o salário chega a R$ 800. 

“Essa situação vem se arrastando há muito tempo”, relatou Sheila Faro, presidente do sindicato, em entrevista à IMPRENSA na semana passada. “A vontade de mudar, ganhar mais, de ser valorizado e respeitado fez com que, na última assembleia, deliberássemos pela greve.”

De acordo com a entidade, os trabalhadores receberam o apoio do diretor do Departamento de Relações Institucionais da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), José Carlos Torves, que foi à Belém para reforçar a campanha “Jornalista Vale Mais”, criada para lutar por melhores condições de trabalho no Grupo RBA.

Reflexos

Diante da paralisação, o veículo acionou freelancers para cobrir os funcionários em greve. Segundo a comissão de trabalhadores, a mudança pôde ser sentida no conteúdo — o portal foi menos atualizado e postagens nas redes sociais foram publicadas com erros. “Isso demonstra que quando não estamos trabalhando, ele [o conteúdo] sai sem qualidade”, avalia o grupo.