"Os ódios estavam pulverizados", diz Fabio Pannunzio sobre agressões nas manifestações

Danubia Paraizo | 07/10/2013 16:30

Durante o painel "Os desafios da cobertura de conflitos: o valor da notícia x liberdade de imprensa", no mídia.JOR, o jornalista Fabio Pannunzio, da TV Bandeirantes, falou sobre a experiência de cobrir in loco as manifestações contra o aumento das passagens, ocorridas em junho deste ano, em São Paulo. 


Crédito:Alf Ribeiro
Pannunzio diz que a violência contra a imprensa nas manifestações é um alerta

Em entrevista à IMPRENSA, o repórter contou detalhes do momento em que foi agredido pelos manifestantes, que tomaram o microfone de sua mão. "Tudo aquilo foi um equívoco. Assim como não havia uma pauta só, os ódios também estavam pulverizados". 


Na opinião do repórter, o maior dificultador dessa cobertura foi, sem dúvida, a violência sofrida, fruto da confusão entre o que é a instituição e quem era o profissional que estava nas ruas trabalhando. "Ninguém pode dar uma pedrada em um jornalista pretendendo atingir a empresa onde ele trabalha. Ele vai sofrer fisicamente a troco de nada. Esse suplício que foi ser agredido de ambos os lados foi muito ruim".

Segundo o jornalista, o ódio da população era voltado mais para os repórteres de TV, com o intuito de atingir o canal de televisão. "Ninguém ali sabia se você era da Cultura, ou da Globo. Eles tinham ódio do veículo, como se pudessem odiar a tela do 'Grande Irmão'. Nós eramos odiados ali da mesma forma".

Pannunzio explica que não se sentiu responsável pelo quadro de desconfiança generalizado do público em relação à imprensa, mas reconhece que em muitos momentos a mídia fez por merecer a hostilidade sofrida à época. "Não me senti culpado porque nunca contribuí na minha vida para essa situação de descrédito da imprensa, mas reconheço que ela errou muito grosseiramente no início de sua cobertura sobre os protestos e isso criou um passivo pelo qual eu e muitos colegas tiveram que arcar". 

Um dos motivos apresentados por Pannunzio pelo quadro de desconfiança da população são os próprios jornalistas, que estigmatizam uns outros, sustentando uma ideia de golpismo, esquerdismo, ou direitismo. "Todos esses esteriótipos ajudam a opinião pública a criar um preconceito com o jornalismo".

A despeito de todas as falhas, Pannunzio lembra que o trabalho que muitos jornalistas tem feito é muito bom, principalmente na área investigativa. "Nos últimos 30 anos tivemos o Fora Collor, as Diretas Já, que ocorreram a revelia  das emissoras de TV, entre outros escândalos, como mensalão, que só aconteceram porque houve vigilância da imprensa".

O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo ( SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.

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