"Nossa expectativa é não deixar essa chama morrer", diz Marcelo Gomes sobre o jornalismo

Igor dos Santos* | 07/10/2013 18:30

Marcelo Gomes, da ESPN, que participou do painel "Grandes entrevistas: Jornalismo investigativo: os bastidores do esporte", na 2ª edição do mídia.JOR, falou sobre o preconceito em relação à editoria e a importância de fazer reportagens com seriedade.


Para ele, jornalismo pode andar junto com o entretenimento, desde que a informação, o que é o mais importante, não seja deixado de lado.
Crédito:Alf Ribeiro
Marcelo Gomes defende jornalismo sério e compromissado no esporte

IMPRENSA - Você falou em “sentimento de indignação”. Acha que isso é o mais importante para quem faz ou vai fazer jornalismo?
Marcelo Gomes - Não só indignação, mas também inquietação, vontade de procurar, de correr atrás do inédito, das coisas que não são faladas. Acho que junto com a indignação é a inquietação. Muitas vezes, o jornalismo esportivo é colocado em segundo plano por muitos jornalistas e, às vezes, até mesmo pelo público. Isso deu uma melhorada. Mudou bastante porque antes o negócio era bravo.

Na sua opinião, por que isso ocorre?
Porque os jornalistas esportivos continuam fazendo aquilo que todo mundo acha que é fraco. Quando um cara pega o jornalismo e o trata como brincadeira, não tem credibilidade. Então assim, quem gosta de esporte, vai buscar coisas especializadas, pois ele quer ouvir opinião. Ele quer coisas mais consistentes. Mudou muito. Mas pelo fato de alguns caras terem esse lado descompromissado, de fazer chacota, fazer piada, a gente acaba sofrendo com o preconceito.

Muitos programas tratam o esporte como entretenimento. Por que você isso acontece?
Enquanto você está transmitindo o negócio, tem o entretenimento. Tem a imagem, tem a satisfação da pessoa que está ali para se divertir. Mas o jornalismo tem que andar junto. O jornalismo não pode andar longe do entretenimento. O entretenimento não pode ser só entretenimento e o jornalismo não pode ser só jornalismo. 

De que forma as suas matérias de denúncias trazem resultados?
Trazem resultados no sentido que, às vezes, liga alguém dizendo que vai ajudar alguém que a gente mostrou que precisa. Algumas reportagens que fizemos reverteram e não vão mudar mais. A gente [ESPN] faz televisão para quem tem grana, para quem pode pagar para assistir. Se a gente fosse uma TV aberta eu acho que a gente teria ajudado a mudar o país. A gente ajuda, de alguma forma, a pressionar os políticos, informando as pessoas, mas se a gente estivesse em uma Globo, mudava o país. 

Qual é a importância de um evento como o Mídia.Jor para a imprensa nacional?
Eu acho que é pegar a rapaziada nova que está chegando e tentar colocar alguma coisa na cabeça deles. A nossa expectativa é a de não deixar essa chama morrer. Algumas pessoas acham que valem a pena, mas não sabem onde trabalhar. É só se encaixar em um lugar que tenha essa oportunidade. Eu sou um privilegiado por trabalhar em um lugar que me dá essa liberdade. Se eu quiser gravar pelado e por no ar na edição, coloco, mas vou pagar uma consequência. Mas eu faço o que eu quero. E faço o que acredito. 

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves


O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo (SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.

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