“Isso é uma censura absoluta”, diz Regina Echeverria sobre biografias não-autorizadas

Gabriela Ferigato | 08/10/2013 13:00

A estagnação do projeto de lei, que ainda tramita na Câmara, que permite a publicação de biografia sem autorização de familiares é o principal desafio neste mercado editorial hoje. Essa é a opinião de Regina Echeverria.


Crédito:Alf Ribeiro
Regina Echeverria é contra a lei que não autoriza biografias sem autorização

Ela que é jornalista desde 1972, já atuou em diversos veículos renomados do Brasil, como O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e nas revistas Veja, IstoÉ, entre outros. Autora de biografias como “Cazuza, preciso dizer que te amo (2001)”, “Pierre Verger, um retrato em preto e branco (2002)”, “Furacão Elis (2006)” e “Gonzaguinha e Gonzagão, uma história brasileira (2006)”, Regina participou do “Painel Diálogos IV – Biografia: A dificuldade da produção não autorizada no Brasil” que aconteceu nesta terça-feira (8/10), no segundo dia de mídia.JOR.


Segundo a jornalista, os biógrafos estão diante de um problema muito sério que, muitas vezes, faz com que eles desistam de personagens contemporâneos. “No momento estou trabalhando com a obra da Princesa Isabel, porque não preciso de autorização, e vou continuar buscando vultos da história para fazer minhas biografias”, afirmou.


Para Regina, essa lei é um atentado à liberdade individual, pois a lei maior é a Constituição. “Isso é uma censura absoluta. Eu, que vivi na ditadura brasileira, sei muito bem o que é isso. Ou você é convidado a fazer uma biografia ou você desiste da história”, completou.


Ela já desistiu de alguns personagens, a exemplo do escritor Mário de Andrade, pois a família não autorizou. Entre as mais difíceis já realizadas, a jornalista citou a do político José Sarney, pois ele é vivo. “É muito difícil fazer biografia de gente viva, porque você tem que pensar que a pessoa tende a querer controlar a sua história”. Já entre as mais prazerosas, ela afirmou que foi da cantora Elis Regina.


A afinidade com biografias surgiu quando trabalhava nos jornais e realizava diversos perfis. “Chegou uma hora que não tinha mais espaço para os perfis. Ainda mais hoje, na era da internet, ninguém quer ler matérias muito grandes e profundas. Foi aí que troquei o jornal pelo livro”, ressaltou. Atualmente, devido ao problema com a autorização de biografias, a jornalista afirmou que vai se dedicar a personagens históricos, que já caíram no domínio público, que não causam problemas.


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