André Ribeiro relata as dificuldades com os biografados e pede mais liberdade à mídia

Mauricio Kanno | 08/10/2013 14:30
“Foi unânime para os participantes deste painel que há necessidade de liberdade plural para qualquer publicação”, afirmou o biógrafo e jornalista André Ribeiro, que participou do “Diálogos IV – Biografia: A dificuldade da produção não autorizada no Brasil”, do 2o. seminário mídia.JOR, realizado por IMPRENSA.

Crédito:Alf Ribeiro
André Ribeiro lembra das dificuldades de fazer uma biografia


Para ele, é necessária uma discussão ampla para todo setor interessado no assunto. Mas o jornalista-biógrafo precisa ser livre para, ao menos, poder procurar as famílias, sem ter que pedir tanta autorização. “E se vier a lei, que seja aberta, considerando que cada livro é uma história diferente”, considera.

Além disso, que se seja razoável. “Vou publicar algo, mas se for mentira, vou ser processado. Assim vão pensar duas vezes antes de alguém querer publicar um livro sensacionalista.” De todo modo, para ele, com uma editora por trás, fica tudo mais simples. “Eu não devia ter que ficar negociando essas autorizações, mas a editora.” 

De todo modo, para ele é interessante que haja identificação, saber quem é quem entre as partes. Para Ribeiro, falta as fontes serem “mais players do que querendo jogar tão contra”. O que deveria parar é a mania de se ficar achando que biógrafo é milionário, defende o jornalista.

Realidades e desautorização
A diferença que percebe entre ele e seus colegas não foi quanto às opiniões, mas quanto à diferença de realidades. “Regina [Echeverria] já consegue investir ela mesma em suas produções, contratar pesquisadora”, destaca ele. “Se eu sou três estrelas, ela é cinco estrelas; já Rodrigo [Rodrigues] seria uma estrela, considerando a questão da produção de biografia, por ter uma obra.” 

Ribeiro há quatro anos sem publicar, exatamente por problemas com o biografado, no caso, a ex-jogadora de basquete Hortência. “Batalhei para fazer essa biografia, no sufoco, sem recursos, tinha autorização dela para fazer; mas depois de pronto, ela viu o material e vetou.” Ele acabou abrindo mão de publicar a obra, mas discorda que a fonte teria esse direito de depois desautorizar. Por exemplo, na grande mídia não se costumar mostrar o texto para a fonte antes de publicar.

Outra grande dificuldade que teve foi na biografia de Telê Santana. “Como estava doente, tive muito trabalho, era muito volume de papel e não tinha o interlocutor. Acabei aqui deixando alguém próximo a ele ler pelo medo de deixar escapar algum furo, pela condição do biografado.” 

De todo modo, agora parte para um próximo desafio de biografia do ex-jogador Fausto, a Maravilha Negra. “Como é alguém praticamente anônimo e esquecido, devo ter menos problemas com isso.” Ainda assim, ele destaca a importância da sua escolha: “Foi o primeiro jogador brasileiro a fazer sucesso na Europa, no Barcelona, na década de 1930. Mas morreu pobre, depois de muitas polêmicas. 


O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo ( SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.


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