Juca Kfouri relata a expectativa de cobrir uma Copa do Mundo no Brasil em 2014

Igor dos Santos* | 08/10/2013 15:00
O jornalista e colunista Juca Kfouri, dos canais ESPN e Folha de S.Paulo, participou da 2ª edição do mídia.JOR como moderador do “Painel Diálogos V – Cobertura esportiva em ano de Copa do Mundo”, que teve como convidados os jornalistas Hélio Gomes, Portal Terra, e Mauro Beting, Band. 

Kfouri falou sobre o uso de novas plataformas na cobertura de grandes eventos, o que espera da Copa no Brasil e sobre a crise da imprensa. 

Crédito:Alf Ribeiro
Para Juca Kfouri, impressos podem aproveitar a crise para se reinventar

IMPRENSA - Qual a importância das multiplataformas na cobertura de um evento como a Copa do Mundo?
JUCA KFOURI - Claro que elas [multiplataformas] são importantes porque disseminam as notícias de várias maneiras. Mas continuo com a minha velha posição, o que vale é o conteúdo na plataforma que for. A maneira de captar a notícia, de dar a informação, permanece absolutamente inalterada. Claro, com maiores possibilidades tecnológicas. Mas o essencial é como você busca a informação.

Você acha que os estádios da Copa estão preparados para acomodar a imprensa nacional e internacional?

Na Copa das Confederações, não esteve. Tivemos problemas em quase todos os estádios de telefonia celular, de comunicação, de computadores e tudo mais. Espero que até a Copa isso esteja resolvido. Os entendidos de tecnologia dizem que o atraso é tal que não será possível tirá-lo. Tomara que estejam enganados.

Tendo a experiência de cobrir a Copa das Confederações e outras Copas do Mundo, qual é a diferença de cobrir um desses eventos no seu país?

Eu diria que isso é uma comparação desfavorável ao nosso país. Porque é inevitável, e meio até inconsciente, você ficar mais preocupados que as coisas estejam perfeitas, para que não passe vergonha. Você se sente responsável pelo erro dos outros. Então você acaba vendo mais erros. Coisas que você releva em outros países, não releva aqui, mas faz parte.

A imprensa está no meio de uma crise. Mas com a proximidade de grandes eventos como a Copa e as Olimpíadas, o jornalismo esportivo nacional está conseguindo superar isso?

Não, eu acho que a imprensa está na frente de uma baita oportunidade. Sem querer falar daquela história sobre “crise” e “oportunidade” do ideograma chinês. A imprensa esportiva está no mesmo barco das outras áreas de cobertura. A gente vê jornais fechando os seus cadernos de esporte, apesar de estarmos às portas de uma Copa e de uma Olimpíada. Eu acho que o que está posto para o papel é de que maneira fazer uma cobertura mais profunda, com textos de qualidade, que se diferencie da cobertura instantânea. É nesse aspecto que eu digo que mais do que uma crise é uma oportunidade. Quem for criativo vai se sair melhor.

Qual a importância de um evento como o mídia.JOR para a imprensa nacional?

Eu acho que todo evento de imprensa é muito bom porque há sempre um intercâmbio. Até aquelas pessoas que você supõe que venham ensinar alguma coisa, na verdade, acaba aprendendo. Você também tem contato com o estudante de jornalismo, então é tudo muito rico.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo ( SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.


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