“As grandes histórias estarão em torno dos estádios”, aposta diretor de conteúdo do Terra

Danubia Paraizo | 08/10/2013 17:00
Diante do desafio de fazer a cobertura do maior evento esportivo do mundo sem pertencer a um veículo detentor oficial dos direitos de transmissão da próxima Copa, o jornalista Hélio Gomes diz não sentir grande desvantagem. Em entrevista à IMPRENSA, o diretor de conteúdo do Terra disse que a própria cobertura da Copa das Confederações mostrou que as grandes pautas estarão fora dos estádios. “É óbvio que o show vai estar dentro dos estádios, mas as grandes histórias estarão em torno deles”, diz.

Crédito:Alf Ribeiro
Hélio Gomes acredita que o diferencial da cobertura na Copa está no que está fora dos estádios


IMPRENSA - O que esperar da cobertura da Copa diante de um possível excesso do entretenimento em detrimento da notícia?
Hélio Gomes - Não estamos num momento político muito propício para o show ser priorizado. Basta ver o que ocorreu na Copa das Confederações. A gente virou essa cobertura para o que estava acontecendo em torno dos estádios, que foi um momento importante para o nosso País. Pelo menos no Rio de Janeiro e São Paulo já temos certeza que vai acontecer o mesmo durante a Copa. Não sei se essa discussão do show, do entretenimento, é propícia. Mas é claro que essa abordagem é importante, precisa existir. Tanto é que fora do Brasil já estão utilizando o termo "sporteiment", que é a mistura do esporte com entretenimento. Isso se reflete na Copa do Mundo para a torcida, com notícias sobre o show dos estádios, a festa dos gringos que vem para o Brasil, as moças bonitas. Isso vai acontecer, inevitavelmente, mas acho que o momento político no Brasil vai se impor fortemente.

O que podemos esperar da cobertura esportiva mesclada com a política diante do que vimos na Copa das Confederações?
Num evento como a Copa ou Olimpíadas existe mais um elemento nessa equação que são os direitos de exibição. O Terra está vindo de uma batida forte porque a gente fez todo o ciclo olímpico. De Pequim a Londres estivemos presentes. Levamos 85 pessoas. É um investimento muito grande. Todo mundo tem que estar preparado. Esse é o nosso diferencial. Em relação aos nossos concorrentes, nós não temos os direitos de exibição. A Globo vai exibir ao vivo os jogos, e espero que não, mas com base do que foi a Copa das Confederações, a cobertura ficou um pouco alienada porque a transmissão do show acaba sendo dentro do estádio  e você vê apenas uma uma câmera tímida do lado de fora mostrando a bomba comendo. No nosso sangue a gente quer estar lá no meio do rock and roll. Tem que estar todo mundo preparado porque não vai ser apenas um evento esportivo.  Vai ser uma batalha.

Quais são os desafios para os jornalistas de veículos que não detêm os direitos de exibição da Copa?
É óbvio que o show vai estar dentro dos estádios, mas as grandes histórias estarão em torno deles, a Copa das Confederações mostrou isso para a gente. Para a imprensa foi muito mais importante descobrir que o Casillas estava com a namorada dele numa balada em Recife, do que o Jérôme Valcke entrando ali para inspecionar mais um estádio. Lógico que adoraria ter os direitos de exibição, entregar isso parao leitor, mas o momento conspira a favor do bom jornalismo. Vai ser bem divertido. Teremos muito trabalho, mas também um tremendo desafio.

Vai ser complicado até para a Globo. Imagino a posição deles. Porque é muito fácil você ficar alienado numa situação dessas. É fácil tentar ignorar o que está acontecendo fora para valorizar o que você tem a exibir dentro. Se eu estivesse em uma situação dessas, ficaria numa agonia profunda. Para quem transmite o jogo é o que interessa, mas estou apostando nas grandes histórias fora dos estádios.

O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo ( SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.

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