Mudanças políticas no Brasil tornaram a pauta mais interessante, afirma Pierre Ausseill

Alana Rodrigues* | 09/10/2013 11:00
O diretor da Agence France-Presse (AFP), Pierre Ausseill, debateu nesta quarta-feira (9/10) os desafios de se fazer cobertura no país durante o painel “Diálogos VI: Correspondentes estrangeiros no Brasil: pautas e dificuldades de adaptação e apuração”, da 2ª edição do mídia.JOR. Também participaram com Juan Arias, correspondente do El País, e Todd Benson, da Reuters. A moderação ficou a cargo de Sinval de Itacarambi Leão, diretor de IMPRENSA.

Crédito:Alf Ribeiro
Pierre Ausseill diz que mudanças políticas no Brasil abriram espaço para novas pautas

O jornalista, que é correspondente no Brasil desde julho do ano passado, conta que as dificuldades se encontram, sobretudo, no tamanho do país. Para ele, o desafio é chegar ao local onde a notícia está acontecendo. “A imprensa estrangeira não tem muitos jornalistas espalhados pelo país, então fica mais complicado”, acrescenta.

Ausseill menciona o incêndio na boate Kiss, em Santa Catarina. ”As empresas tem um orçamento limitado principalmente nesse momento de mudança da imprensa mundial. Às vezes, temos correspondentes no Rio e em Brasília, então fica difícil chegar ao local rapidamente”, explica.

Apesar dos impasses, o diretor diz que o dia-a-dia da imprensa brasileira é bem organizado na área de comunicação, o que na sua opinião auxilia os correspondentes. “Já trabalhei na África Central e era muito mais difícil, pois não havia comunicação. As pessoas não te respondiam na hora. Em Portugal também é muito mais difícil, a burocracia é bem maior. No Brasil, há um diálogo mais amplo”, ressalta.

O jornalista vê uma imprensa moderna, que apresenta análises dos fatos e espalha muitos correspondentes em outros países. Segundo ele, a mídia brasileira está dividida entre a cobertura ágil das metrópoles e os riscos das cidades do interior.

“Se a imprensa está independente eu não sei. Parece que tem dois mundos da mídia nesse país. A das grandes cidades e a do interior, a qual conheço menos, mas pelo que vejo há mais riscos para cobrir algo quando envolve política, por exemplo, onde o repórter é muitas vezes perseguido”.

Ausseill destaca ainda que as transformações políticas no país deram abertura para pautas mais interessantes para os correspondentes do que apenas os clichês. Para ele, o importante é fazer um bom jornalismo.

*Com supervisão de Vanessa Gonçalves

O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo (SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.

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