Presidente da Click Isobar destaca o efeito rastro de pólvora das mídias sociais

Camilla Demario | 09/10/2013 12:30
Nesta quarta-feira (9/10), o painel “Mídias sociais como negócio: como gerar receita por meio dos novos players” reuniu especialistas no seminário internacional mídia.JOR, promovido por IMPRENSA.O convidado Abel Reis, presidente da AgênciaClick Isobar, destacou como as redes sociais têm influenciado a imagem de marcas e instituições. Ele discutiu como tornar a internet parte da estratégia corporativa, reposicionando os negócios da empresa.

Crédito:Alf Ribeiro
Presidente da agência destacou como a informação se espalha na web


IMPRENSA - Ao mesmo tempo em que existe uma excitação sobre novas possibilidades nas redes sociais também há um receio?
ABEL REIS - Acho que os anunciantes se preocupam com a reputação que as mídias sociais trazem. O efeito rastro de pólvora nas mídias sociais é fantástico, para o bem e para o mal. Isso significa que crises se instalam rapidamente, situações desafiadoras idem. O questionamento de consumidores se apresenta de uma forma mais contundente do que nos canais tradicionais. Quando você faz uma reclamação no SAC, é você e a atendente; quando é numa fanpage, é você e mais 2 milhões seguidores. Esse talvez seja o grande ponto nevrálgico de tensão e ansiedade dos anunciantes na hora de usar mídias sociais.

Outro aspecto que também chama muita atenção são as métricas: como eu posso efetivamente ter noção de quanto uma ação de redes sociais contribui para minha marca, minhas receitas, meu posicionamento. Então, essa mensuração é também um ponto de exploração, de amadurecimento e preocupação dos anunciantes. Como tudo, é o tempo que vai resolver. Tudo se consolida, na prática, pelas experiências de ações mais corajosas e ousadas no mercado e fazendo demarcando posição.

Como o jornalismo pode se beneficiar com as mídias sociais?
Do mesmo modo que as agências e os anunciantes estão perplexos e entusiasmados com o poder das mídias sociais, os publishers também estão. A gente tende a ver o lado ruim que as mídias sociais trazem para o jornalismo, particularmente, como as pessoas propagam o conteúdo livremente, sem que tenham que pagar ou que, muitas vezes, desrespeitam os direitos sobre esse conteúdo.

A gente também sempre vê o lado perverso das máquinas de busca, que estão o tempo inteiro oferecendo conteúdo e gerando receitas em cima de conteúdos que outras pessoas produzem, mas eu gosto de ver o outro lado: o fato de que quanto mais credibilidade um veículo tem, mais propagado ele será. Portanto, há sim um efeito de difusão da credibilidade, da qualidade do conteúdo através dos canais sociais. Isso é o que os publishers não podem renegar de maneira alguma e não necessariamente deve se olhar para uma plataforma de social, seja Twitter, Facebook, como um meio de receita por si próprio, mas como um meio de reintermediação e reagenciamento do conteúdo que você produz.

Assim como fez a Globo?
É uma questão de tempo para que a gente evolua para esse modelo, os publishers alcancem um formato de geração de receita a partir de assinatura. Portanto, devem investir na qualidade do conteúdo, da relação com seguidores. O cara vai entrar no Facebook, ver a manchete de uma notícia legal, dar o clique, entrar no site do veículo, ler um pouquinho e, se quiser ler mais tem que pagar para tanto, como os modelos de paywall e de assinatura de conteúdo. Eu vejo que as mídias sociais são uma grande vitrine de conteúdo de qualidade e atraem uma massa leitores interessados nesse conteúdo em profundidade. Talvez essa seja a melhor maneira de olhar as mídias sociais em relação aos publishers. 

Como você imagina as mídias sociais daqui a 5 anos?
Acho que se tornar uma grande ambiente do que chamam de crowdfunding, ou seja, um lugar onde muitas vão poder contribuir e comprar coletivamente serviços, produtos e conteúdo.

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