Roberto Cabrini fala sobre os benefícios da tecnologia em pautas investigativas

Danúbia Paraizo | 09/10/2013 15:00

No painel "Jornalismo investigativo: ferramentas e conflitos éticos na apuração, no mídiaJOR, Roberto Cabrini, do SBT, falou sobre os desafios da reportagem investigativa em tempos de grandes avanços tecnológicos. "Jornalismo investigativo é caro e muitas vezes depende do próprio profissional que acredita em uma pauta, ir atrás e executá-la", disse.


Para o jornalista, o papel de apurar e fazer uma boa reportagem já não cabe apenas ao profissional de imprensa, ainda que seja com uma câmera simples. Apesar das dificuldades como ameaças, Cabrini ressaltou ainda a responsabilidade dos profissionais que atuam nesta editoria, lembrando que os cidadãos encontram nas reportagens de denúncia a solução para problemas, uma vez que já não acreditam mais nas instituições. "A gente ganha o jogo quando nossas matérias geram mudanças e benefícios às vítimas.



Crédito:Alf Ribeiro
Roberto Cabrini ressaltou ajuda da tecnologia em pautas investigativas

IMPRENSA - Como você avalia o espaço dado às matérias investigativas no Brasil? Tem sido suficiente?

Roberto Cabrini - O profissional não tem mais desculpas. Existe uma demanda. O público tem imenso interesse em matérias investigativas. Ela se tornou mercadologicamente relevante também. Ainda existem desafios, cerceamentos, pessoas que tentam manipular, provocar dificuldades. Há as mais diversas dificuldades para se trabalhar, mas comparado a outros tempos, nunca houve tanto espaço como hoje. Melhor ainda: o público descobriu a importância do jornalismo investigativo.


Em tese, todo jornalismo deveria ser considerado investigativo, só que existe tantos exemplos de jornalismo unilateral, superficial, raso, que se convencionou chamar de investigativo aquele tipo de reportagem profunda. Estamos num momento importante em que o jornalismo tem feito diferença, tem mudado a realidade do País, mas é claro que há um grande caminho a percorrer. Temos ainda uma democracia incipiente no Brasil e o jornalismo investigativo reflete esse momento.


A TV e o impresso ainda reinam como principais veículos para a veiculação de reportagens investigativas. A plataforma online também poderia ser usada de forma mais efetiva?

Não existem barreiras nem limites para o jornalismo investigativo. Com uma câmera lambe-lambe, com um celular hoje em dia dá para fazer jornalismo investigativo da melhor qualidade. O que a gente assiste hoje em dia é uma democratização dos veículos de comunicação. Todo e qualquer cidadão tem potencial de ser um repórter. É claro que ainda existem espaços importantes para aqueles profissionais tidos como tradicionais, mas esses, estão sendo forçados a se aperfeiçoar e a se aproximar mais do público, a ter uma sintonia mais direta pela própria democratização dos veículos.

Hoje em dia, é possível cobrir um determinado evento e até mesmo mudar a história do seu País. Isso é muito bom porque eleva a qualidade.


Como você vê inciativas como o crowdfunding para ajudar jornalistas a custear suas reportagens? Seria esta uma saída para mais matérias investigativas?

Toda iniciativa com a proposta de ajudar a se evidenciar uma determinada realidade é bem-vinda. Só que é fundamental você saber quem está bancando. Quem banca, muitas vezes, ou quase sempre, têm algum interesse na reportagem. Isso não quer dizer que esses interesses não possam ser evidenciados, mas é preciso haver transparência. Diga quem banca um projeto que eu lhe direi quem tu és.


As amaeaças são os principais difcultadores do jornalista investigativo? Quais são seus principais desafios?

Quem não quer ser ameaçado não procure o jornalismo investigativo. Há outros tipos de jornalismo mais seguros. Mas se por um lado convivemos com as ameaças, elas indicam que estamos diante de uma fato importante. Ninguém ameaça um jornalista por nada. As ameaças são indicativos de que você está no caminho certo.


O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo (SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.

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