Maurício Ricardo fala sobre o futuro das charges em tempos de redes sociais

Danubia Paraizo | 09/10/2013 18:15
Durante o painel "A charge como instrumento de humor e informação", no mídia.JOR, o cartunista Maurício Ricardo conversou com o jornalista Ricardo Feltrin sobre o papel das charges no jornalismo em um momento de crise nos veículos impressos. 

Crédito:Alf Ribeiro
Maurício Ricardo aposta na web como plataforma para as charges

O chargista destacou o descrédito da política nacional, o que causa desinteresse das pessoas pelas charges que tratam do noticiário. “Tem gente que me diz que não aguenta nem abrir minhas charges para não ver a cara da Dilma”.

Para ele, a falta de entendimento dos leitores a respeito de temas mais complexos também dificulta o trabalho do chargista, que precisa ser preciso e didático. "A charge nos impressos está muito desvinculada da notícia. Muito distante das matérias. Hoje você tem que não só fazer humor, mas explicar a própria notícia para o leitor. É um desafio".

O cartunista comentou também a relação do humor com a charge e da necessidade das artes gráficas abordarem diversos recursos que não só a piada. “Há temas que não têm como ser engraçado. A tragédia em Santa Maria, por exemplo, não tem como fazer humor. É desrespeitoso”, garante.

Diante do turbilhão de notícias nos principais veículos de comunicação e internet, Maurício Ricardo disse ainda vive um dilema na hora de selecionar qual assunto destacar em suas charges. “Ainda sou tradicional, procuro as notícias nos principais jornais e no UOL, que é onde o charges.com está hospedado”.

Em relação à popularidade das redes sociais e a concorrência com os internautas, que agora têm a possibilidade de compartilhar suas sacadas de humor, Maurício explicou que os chargistas devem conviver com isso com naturalidade. “Acaba sendo um risco para os cartunistas ter ideias semelhantes, mas prefiro acreditar que ideias repetidas não acontecem por má fé. Não tenho apego pelo meu trabalho. Coincidências acontecem”. 

O cartunista, que também é jornalista, concluiu a entrevista falando sobre a crise nos impressos e que as charges estão inclusas. Maurício lembrou que enquanto muitos buscam publicar seus trabalhos em jornais e revistas que cada vez mais fecham suas portas, muitos profissionais já fazem um excelente uso da internet. “Você resistir num barco que está afundando é complicado. As pessoas se focam muito nos veículos, mas muita coisa boa acontece nos redes sociais, blogs. A discussão é saber como financiar, tem cartunista em blog sem ganhar nada fazendo um trabalho excelente”.

O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo (SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.

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