Após período de estabilidade, Grupo RBA demite grevistas; empresa nega retaliação

Edson Caldas* | 19/11/2013 11:30
Na última segunda-feira (18/11), a Rede Brasil Amazônia de Comunicação (RBA), detentora do jornal Diário do Pará, Portal Diário Online (DOL) e TV RBA, demitiu quatro profissionais de imprensa envolvidos na paralisação por melhores salários ocorrida em setembro.

Crédito:Divulgação
Quatro grevistas forma demitidos após período de estabilidade

Os jornalistas Amanda Aguiar, Felipe Melo, Cris Paiva e Adison Ferrera teriam sido dispensados porque integraram o grupo que organizou o movimento grevista. A Comissão dos Trabalhadores do Diário do Pará e DOL convocou um ato na próxima quarta-feira (20/11), às 18h, na av. Almirante Barroso, em frente à empresa. Uma assembleia geral será realizada no sábado (23/11) para debater uma nova greve pela readmissão e contra as demissões..

“Foi claramente uma retaliação pós-greve, pois ocorreu com quatro grevistas e no primeiro dia útil depois dos 45 dias de estabilidade”, destacou a comissão à IMPRENSA. “Além disso, fomos recebidos por uma funcionária do RH na portaria da empresa, nem nos deixaram entrar no jornal.”

Sheila Faro, presidente do Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará, diz considerar a ação um ato de covardia. “É desumano demitir esses jovens às vésperas do Natal. Mas este ato não ficará sem resposta.”

Uma nota de repúdio divulgada pelo sindicato, na última segunda-feira (18/11), pede que os jornalistas mão baixem a cabeça. “Agora, mais do que nunca, precisamos nos unir, e de forma prática, lutarmos para conseguir reinserir nossos colegas no mercado de trabalho. Hoje foram eles, amanhã poderá ser qualquer um de nós.”

“Os frutos dessa luta histórica, que chamou a atenção da sociedade e conquistou o apoio de vários sindicatos e, especialmente, dos jornalistas brasileiros, não se perderá”, defende o texto.


Grupo RBA nega

O diretor-geral da empresa, Camilo Centeno, que se disse surpreso com a ligação de IMPRENSA, classificou as acusações como "totalmente infundadas" e minimizou o caso. "O grupo tem mais de 800 pessoas, estamos falando de quatro demissões. O número é absurdamente ridículo, é mínimo. Qual a empresa que não tem seu giro normal? É uma rotina, ela faz os ajustes conforme a necessidade dela."

Segundo ele, se a RBA fosse demitir os funcionários envolvidos na greve, já o teria feito. Centeno diz que o período de estabilidade acabou na semana passada. "São ex-funcionários que por algum motivo não interessavam mais à gerência", defendeu. "Não sei por que essa ideia de retaliação." Para o diretor, os trabalhadores que deixaram a empresa estão "procurando um pretexto" para transformar uma decisão administrativa em um ato político.

Acordo

No dia 27 de setembro, o sindicato e a RBA firmaram um acordo que encerrou a greve dos funcionários da empresa, que já durava uma semana. Os trabalhadores conseguiram aumento no piso salarial, que passou de R$ 1.000 para R$ 1.300 a partir de outubro. 

Na ocasião, os jornalistas garantiram a reposição integral da inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), no período de 2012 e 2013, para quem não ganha o piso; garantia de estabilidade de 45 dias; pagamento dos dias parados; e compensação em até três meses dos dias em que os funcionários estiveram em greve.

A iniciativa começou com a campanha “Jornalista Vale Mais”, que levou os profissionais paraenses para a rua. Após o término da greve, no entanto, a empresa teria perseguido os funcionários. “No jornal Diário do Pará, as pessoas foram trocadas de horários e cadernos”, informou a Comissão dos Trabalhadores. “Mas o único prejudicado com isso foi o jornal, que perdeu em qualidade.”

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

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