Diretor de redação da “Época SP” responde críticas à reportagem sobre mobilidade urbana

Alana Rodrigues* | 16/12/2013 12:00

A última edição revista Época SP, publicada na semana passada, traz um especial sobre mobilidade urbana, no qual questiona a construção de uma série decorredores exclusivos de ônibus em São Paulo. A matéria intitulada “Faixa exclusiva de ônibus: Haddad achava mesmo que o paulistano deixaria o carro em casa?” gerou grande repercussão nas redes sociais e uma carta-aberta em resposta à reportagem.


Crédito:Reprodução
Capa sobre mobilidade urbana gerou carta criticando a reportagem

O site Cidade Para Pessoas publicou, na última quinta-feira (11/12), uma crítica ao texto dividida em quatro pontos centrais. Um dos questionamentos é sobre a chamada de capa da publicação que propõe explicar porque a ideia de construir 300 quilômetros de corredores exclusivos para ônibus deu errado.

À IMPRENSA, o diretor de redação de Época SP e autor da reportagem, Celso Ferrari Masson, pontuou que a revista já publicou outras três capas sobre os desafios da mobilidade e todas foram muito bem avaliadas por especialistas.

"Somos sensíveis ao problema da mobilidade e sempre procuramos estimular um debate saudável, ouvindo especialistas que contribuam com ideias originais para um dos maiores transtornos da vida na cidade", explica.

O texto do Cidade Para Pessoas diz que a medida está passível de irregularidades e que é "papel do bom jornalismo" apontar as falhas. No entanto, alerta que o período de menos de um ano de implementação não é suficiente para estabelecer um julgamento.

Outra crítica seria a respeito  dos dados considerados "imprecisos" ou mal combinados, que geram interpretações erradas. A publicação compara as informações divulgadas pela revista e as fornecidas na última pesquisa Origem e Destino (de 2007).

Entre elas, menciona que a revista afirma que “a carência de outras modalidades obriga 75% da população a andar de ônibus – um número tão alto quanto inadequado”. O dado é qualificado incorreto pela crítica que compara aos 38,42% dos deslocamentos feitos de transporte público. 

O artigo também aponta que as proposições indicadas pela revista são "lineares e simplistas", alegando que sistemas de BRT, pedágio urbano e transporte sobre trilhos não afetam o descontrole físico de São Paulo.

A carta é concluída com um item metafórico sobre a centralização do debate da mobilidade em carros contra ônibus, corredores e BRT ou metrô contra VLT. "Cair nessa armadilha é quase como discutir futebol e tentar argumentar qual o melhor time, o melhor esquema tático, o mais talentoso. A diferença central é que no futebol, apenas um time ganha", pondera o texto.

Masson diz que não tem a intenção de polemizar com o blog Cidade para Pessoas, que segundo ele, não apresentou argumentos que anulem a capa da publicação. "Ninguém precisa concordar com a nossa visão, mas aqui na Editora Globo nós fazemos jornalismo e não militância", diz.

"Nossa missão é produzir e disseminar um jornalismo independente que antecipe as transformações da sociedade e conecte cada indivíduo com sua época. Sustentabilidade é um dos valores expressos em nossos Princípios Editoriais. E nossa capa jamais iria contra esse credo", acrescenta.


* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

Leia também
- Nicolás Maduro intensifica pressões contra a imprensa venezuelana
- Chega às bancas "The São Paulo Times"; jornal promete abordagem reflexiva dos fatos
- Adotar o cargo de ombudsman ainda é um desafio para jornais em todo mundo.