"Para mim, já é um troféu", diz Delis Ortiz sobre indicação ao "Mulher IMPRENSA"

Alana Rodrigues* | 17/01/2014 09:30

Finalista da 10ª edição do "Troféu Mulher IMPRENSA", na categoria "Repórter de Telejornal", a jornalista Delis Ortiz, que integra atualmente a equipe da Rede Globo e marcou sua carreira com a cobertura dos mais importantes fatos políticos do país, diz que a indicação ao prêmio já é uma vitória. "Como sempre, para mim, já é um troféu", comemora.


Crédito:Divulgação
Para Delis Ortiz, ser finalista é como se tivesse ganhado o prêmio

Delis iniciou sua carreira como repórter na sucursal do SBT em Brasília. Trabalhou seis anos na emissora, acumulando funções no Incra. Mais tarde, fez parte do time do jornal Noticentro, cobrindo notícias na periferia da capital federal. Em seguida, com a criação do "Telejornal Brasil", começou a cobrir política. No fim dos nos 1990 passou a trabalhar como repórter do "Jornal Nacional".

Em 2004, trabalhou com a equipe do "Globo Repórter" em um programa especial sobre abuso sexual de crianças. As matérias, gravadas no Paraguai, Rio Grande do Sul e no Ceará, renderam à jornalista o VII Prêmio Imprensa Embratel. Em 2011, Delis Ortiz assumiu como correspondente da Globo para a América Latina, baseada em Buenos Aires. Em entrevista à IMPRENSA, ela conta sobre as coberturas especiais que fez ao longo da carreira e como avalia a atuação das mulheres nas redações.

IMPRENSA: Na sua opinião, qual o papel da mulher na imprensa nos dias de hoje?

Delis Ortiz: Atualmente, a profissão tem mais mulher que homem, diferentemente de antes. Mas acho que em quase todos os setores há mais mulher que homem, não é? O que difere, na minha opinião, é o modo como as mulheres leem os fatos e, assim, os descrevem, os narram, os publicam... É um ponto de vista singular, mais sensível. Creio que a experiência de ser mãe, avó, dona de casa, polivalentes, na maioria das vezes, contribui para uma visão mais contextualizada da realidade. Fora esse detalhe, não vejo diferenças de papel porque jornalista é jornalista, independentemente do gênero.

Um dos seus trabalhos iniciais foi a cobertura na periferia de Brasília. Como foi desenvolver esse trabalho? O que ele significou para você?

Começar do começo me ajudou a sedimentar cada degrau na escala de valores da profissão. Meti, literalmente, o pé na lama para cobrir a periferia, em tempos de falta de infraestrutura, de saneamento básico etc. Aprendi a ver a cidade no seu contexto mais real, que são as mazelas da periferia. Na época, como ainda hoje, a jornalista aqui não consegue conter as lágrimas quando se trata de drama humano, coisas que doem na carne, na alma... E isso me ajudou e ajuda a não perder de vista a vida como ela é na narrativa da notícia.

Você sempre teve interesse em trabalhar no jornalismo político?

Não, não foi um sonho, apenas era a raia mais vazia de disputa, quando comecei no jornalismo em Brasília. Apostei nisso. Se bem que, claro, em Brasília, ninguém escapa de política.

Você também fez um trabalho especial sobre o abuso sexual de crianças que lhe rendeu um prêmio. Como foi realizar esse trabalho?

Foi um trabalho de arrancar pedaços da alma, porque foi como entrar em cavernas escuras de medo e sofrimento. Entrevistar crianças que falavam como adultas ao descrever as violências que haviam sofrido desmoronou nossa fortaleza e nos levou a muitas noites de catarses em equipe. Foram três meses de choro e, ao mesmo tempo, esperança de estar contribuindo, de alguma forma, com a libertação de pequenos reféns. A denúncia, a exposição do mal, traz luz sobre o escondido e desperta na sociedade inconsciente alguma reação. Creio que revelar traumas desencadeia cura. O que antes era tabu, não se tratava na televisão, por ser muito mundo cão, acabou sendo tema recorrente, debatido mais abertamente, levando Estado, igreja, famílias e sociedade como um todo a ter consciência de sua responsabilidade na proteção de vítimas.

Qual você considera ter sido sua pauta de destaque em 2013?

Como eu disse na época desse 'Globo Repórter' sobre o Abuso Sexual contra crianças e adolescentes, "se uma única criança tiver sido salva das mãos de seu algoz, para mim, já valeu toda minha carreira de jornalista"!

O "Troféu Mulher IMPRENSA" é realizado e idealizado por IMPRENSA Editorial. As votações vão de 14 de janeiro até as 23h59 de 13 de fevereiro. Para mais informações e conhecer a lista de finalistas, clique aqui.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

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