“As redes sociais têm um potencial de veneno lamentável”, diz Cynara Menezes

Danubia Paraizo | 21/01/2014 09:30

Reza a lenda que discutir o sexo dos anjos não leva a lugar algum, por outro lado, discutir o sexo dos comunistas na Alemanha Oriental parece dar pano para manga. Esta foi a conclusão da jornalista Cynara Menezes, da revista CartaCapital, quando em agosto passado se surpreendeu com a repercussão do texto “Comunistas transam melhor?” em seu blog Socialista Morena.


Finalista na categoria “Jornalista de Mídias Sociais”, do Troféu Mulher IMPRENSA, Cynara conta que procurou fazer um texto mais informativo, levantando a discussão de um documentário de 2006, sobre o fato de as pessoas na Alemanha Oriental fazerem mais e melhor sexo que no lado capitalista do muro de Berlim. Desbancando as análises sobre os protestos contra o aumento na tarifa de ônibus, e até mesmo seus comentários sobre a prisão dos chamados mensaleiros, o texto sobre a liberdade sexual dos alemães foi o mais comentado e lido do seu blog em 2013.

Crédito:Alf Ribeiro
Cynara é finalista na categoria jornalista de mídias sociais
A discussão tomou ainda mais força com a censura do post na fan page da CartaCapital. A rede social de Mark Zuckerberg bloqueou o conteúdo da publicação por causa da ilustração de bonecos estilo toy art em posições sexuais. Para a jornalista, a repercussão do tema demonstra o forte interesse dos leitores por informação e notícias curiosas. “Como poderia imaginar que um post sobre sexo na Alemanha Oriental fosse fazer sucesso? A internet já está repleta de opinião, por isso, uma das coisas que decidi sobre o blog, é que vou fazer mais textos informativos”.

Seguida por mais de 26 mil internautas no Twitter e mais de 50 mil na fan page do Socialista Morena, Cynara conta que o desafio para 2014 é se ver longe de discussões nas redes sociais. Pelo menos, é o que promete tentar. “Eu não abro mão das minhas ideias. A maior fidelidade que a pessoa pode ter é com as próprias convicções”. 

Depois de se envolver em polêmicas no Twitter com um grupo de feministas por causa de um texto em que explica as diferenças entre o homem machão e o homem machista, e um outro post em defesa do cavalheirismo, a palavra de ordem agora é evitar brigas. “É muito difícil a gente não ser atingido pelas críticas. Você é atacado o tempo todo. Para 2014 eu prometi para mim mesma não me envolver tanto com o Twitter porque ele ficou muito pequeno. Tem muita gente ali disposta só a brigar, não a debater”, justifica. 

Um dos motivos que levou Cynara a repensar sua atuação no Twitter foi a chamada ditadura da opinião, depois que fez alguns comentários sobre o ex-deputado José Genoino, condenado pelo envolvimento com o mensalão. “Eu fui falar que gosto dele, que o admiro, que o acho um grande parlamentar e me xingaram de tudo quanto é nome. Infelizmente, as redes sociais têm demonstrado um potencial de veneno que é bastante lamentável. Quando elas começaram havia mais espaço para o debate”. 

Ganhadora do “Mulher IMPRENSA” em 2013, a jornalista se diz surpresa pela nova indicação como finalista e agradece aos leitores pelo empenho e mobilização durante a fase de votos. “Foi uma honra ter recebido o prêmio ano passado e ser indicada. Isso me mostra que estou no caminho certo, estou em paz com a minha independência, com a minha consciência”. 

O "Troféu Mulher IMPRENSA" é realizado e idealizado por IMPRENSA Editorial. Em 2014, a premiação celebra sua 10ª edição consecutiva, e vai homenagear as jornalistas que mais se destacaram em suas áreas de atuação em 2013. As votações vão de 14 de janeiro de 2014 até às 23h59 de 13 de fevereiro. Para mais informações e conhecer a lista de finalistas, clique aqui.

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