“É recompensador ver talentos desenvolvidos na rádio”, diz Sheila Magalhães, da BandNews

Danubia Paraizo | 24/01/2014 11:00
Ao longo dos últimos sete anos, a jornalista Sheila Magalhães tem se dividido entre a dupla jornada de ser âncora e chefe de redação da rádio BandNews FM. Finalista em duas categorias do Troféu Mulher IMPRENSA, a profissional conta que a missão é um desafio diário, mas recompensador, principalmente quando vê talentos sendo desenvolvidos na própria emissora.

Sheila, aliás, é fruto desse investimento em capital humano da casa. Como repórter, já fez coberturas importantes, como as eleições presidenciais de 2002, além de também ter atuado como correspondente na Alemanha, em 2006, sempre pela rádio Bandeirantes. Em 2007, passou a integrar o time da BandNews FM, que surgiu justamente com a proposta de manter uma linha de comunicação mais próxima com o público feminino.

Crédito:Divulgação
Sheila Magalhães é finalista nas categorias "Âncora de rádio" e "editora de redação"
“Nosso volume de âncoras e repórteres do sexo feminino é maior, justamente para que as mulheres possam se identificar. Não só com a voz, mas também com o tipo de conteúdo que a gente leva ao ar. Trazemos o noticiário do dia a dia, claro, mas na medida do possível tratamos assuntos que as mulheres querem saber”, destaca. 

Refletindo sobre o papel da mulher no jornalismo, Sheila diz ser grata às gerações anteriores de jornalistas que ajudaram a desmitificar o preconceito nas redações. “A minha geração talvez tenha sofrido muito menos com preconceito do que outras mulheres no passado. Aliás, elas abriram as portas para que hoje a minha condição fosse possível”.

Duas em um: âncora e chefe de redação
"É um desafio diário, mas até aqui venho conseguindo equilibrar bem o tempo dedicado às duas funções. São coisas bem distintas. Tem o desafio de ancoragem, que é o desempenho jornalístico diário de estar próximo ao público, e que tem me trazido um aprendizado contínuo de lidar com o noticiário que chega, com as coisas da última hora", diz. Segundo ela, isso complementa seu trabalho na gestão da rádio, como chefe de redação, porque é na ancoragem que sente de verdade o feedback dos ouvintes.

Na gestão da rádio, que é algo que exige uma energia muito maior, algo que Sheila gosta é a gestão de pessoas e a organização de processos. "É duro, mas absolutamente recompensador quando vejo talentos sendo desenvolvidos dentro da rádio", comenta.

Preconceito 
Para a jornalista, sua geração talvez tenha sofrido menos com preconceito do que outras mulheres no passado. "Aliás, essas mulheres abriram as portas para que hoje a minha condição fosse possível. Não me recordo de nenhum episódio que tenha me sentido constrangida ou tratada com indiferença por ser mulher. Não sei se sou uma exceção ou se sou fruto de uma geração de mulheres que precisou sofrer muito com preconceito para eu não passar mais por isso hoje", reflete.

Habilidades de ser mulher
Sheila Magalhãe acredita que algo fundamental é ter a sensibilidade no olhar o outro, o que é uma característica essencialmente feminina. "Embora eu ainda não seja mãe, acho que a maternidade em muito explica essa coisa da mulher ser uma grande contemporizadora. Na família, ela tem o controle da casa, dos filhos, faz o malabarismo com a escola do filho, cuida das necessidades do marido, da casa, do trabalho. Ela tem essa sensibilidade para tornar harmonioso o ambiente, ser uma solucionadora de conflitos dentro da casa, e isso se reflete no trabalho". 

"A mulher tem sensibilidade para enxergar as dificuldades de cada integrante da família, e acho que isso também se transporta para o ambiente profissional". Ela garante que isso ajudar a identificar zonas de conflito, afinal, lida diretamente com pessoas.

Programação genuinamente feminina
As rádios mais tradicionais têm um público majoritariamente masculino e, quando a BandNews FM surgiu, foi muito no intuito de atrair essa mulher que as demais rádios não atingiam. Então, o volume de âncoras e repórteres do sexo feminino é maior, justamente para que as mulheres possam se identificar. "Não só com aquela voz, mas também com o tipo de conteúdo que a gente leva ao ar. Trazemos o noticiário do dia a dia, claro, mas na medida do possível tratamos assuntos que as mulheres querem saber. Até porque hoje a mulher trabalha, dirige, faz as compras, é responsável pela renda familiar, é consumidora, seria uma grande perda de tempo não valorizar e dialogar com esse público", afirma.

Troféu Mulher IMPRENSA
"Acho a indicação sensacional, porque é o reconhecimento de outros profissionais do mercado que enxergam o que as mulheres têm feito no jornalismo. Só a indicação é um baita reconhecimento do trabalho que fazemos aqui. Falando como chefe de redação, acho essa conquista especialmente importante, já que somos uma rádio que trabalha com um carinho muito especial para o público feminino", conclui.

O "Troféu Mulher IMPRENSA" é realizado e idealizado por IMPRENSA Editorial. As votações vão de 14 de janeiro até as 23h59 de 13 de fevereiro. Para mais informações e conhecer a lista de finalistas, clique aqui.