"É possível ser informativo e sem perder o bom humor", confessa Sandra Annenberg

Alana Rodrigues* | 29/01/2014 11:00
Finalista da 10ª edição do "Troféu Mulher IMPRENSA", a jornalista Sandra Annenberg, que atualmente comanda o “Jornal Hoje” ao lado de Evaristo Costa, iniciou cedo no jornalismo. Aos 14 anos, fez sua estreia como repórter do programa “Crig-Rá”, na TV Gazeta.

Crédito:Divulgação
Âncora do "Jornal Hoje" venceu das vezes o Troféu Mulher IMPRENSA

Mais tarde, circulou pelas TVs Cultura, Bandeirantes e Record. Durante a troca de emissoras, a profissional pensou em investir no teatro, cursando, inclusive, a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD-USP/SP), até chegar na TV Globo, onde está desde 1991, momento em que decidiu abraçar de vez a carreira jornalística.

Além de integrar a equipe do “Jornal Hoje” há 13 anos, Sandra também atua como editora-chefe do “Globo Notícia” e, em junho de 2012, passou a comandar o “Globo Cidadania” no lugar do apresentador Serginho Groisman. 

Essa não é a primeira vez que a jornalista concorre ao prêmio. Sandra foi agraciada por duas vezes consecutivas, em 2008 e 2009, sempre na categoria “Melhor Âncora de Telejornal”. Agora, concorrem ao seu lado, Ana Paula Araújo (TV Globo), Leilane Neubarth (GloboNews), Patrícia Poeta (TV Globo) e Renata Vasconcellos (TV Globo). Em entrevista à IMPRENSA, a jornalista falou sobre a indicação e de momentos importantes de sua carreira ao longo de 2013.

IMPRENSA: Como foi para você saber que havia sido indicada como uma das finalistas do prêmio? É uma nova emoção já que foi agraciada em 2008 e 2009?
Sandra Annenberg: É muito bacana ser indicada porque é quando cai a ficha que há o reconhecimento de um trabalho árduo, feito diariamente com muita dedicação! E, como as notícias que são sempre uma surpresa, fui surpreendida por mais essa indicação depois de receber por dois anos consecutivos o prêmio.

Quais são os desafios de conciliar funções no "Jornal Hoje", no "Globo Cidadania" e Globo Notícia"?
O ‘Globo Notícia’ é, digamos, um aquecimento para o ‘Jornal Hoje’. Entro logo cedo pra preparar o ‘Globo Notícia’, ele é pequenino dentro do ‘Bem Estar’, mas dá um trabalhão, afinal, temos que atualizar o ‘Bom Dia Brasil’ que saiu do ar há uma hora e meia. Depois do ‘Globo Notícia’, me dedico com exclusividade ao ‘Jornal Hoje’, que é a minha paixão! Em 2014 completo 23 anos de jornalismo na Globo e estou no ‘Jornal Hoje’ há 13 anos. É um jornal delicioso porque tudo está acontecendo, é muito dinâmico e o fazemos de uma forma bem descontraída. Adoro! Mas as notícias do dia a dia são quase sempre muito difíceis por isso o ‘Globo Cidadania’ é o meu respiro, onde só há espaço pra notícia boa e do bem, uma delícia.

Qual foi a grande experiência que o "Jornal Hoje" lhe proporcionou ao longo desses anos?
O‘Jornal Hoje’ me permitiu desenvolver uma nova forma de apresentar um telejornal, uma maneira mais conversada, menos formal. Vimos que é possível ser informativo e de um jeito mais relaxado, sem perder o bom humor jamais!

Quais coberturas mais marcaram para você em 2013?
2013 foi um ano e tanto com muitas coberturas difíceis. Começou com a notícia de Santa Maria. Acordei no dia 27 de janeiro daquele ano, um domingo, e li sobre o incêndio na Boate Kiss. Pela manhã já eram 160 mortos, um número absurdo. Liguei para a minha chefe e sugeri que fôssemos para lá. Embarquei no fim do dia com os colegas do "Jornal Nacional" (William Bonner) e do "Bom Dia Brasil" (Ana Luiza Guimarães) para, juntos, fazermos a cobertura de uma tragédia sem precedentes no Brasil: 242 jovens perderam a vida, uma vida que estava só começando, uma tristeza profunda! Ter estado lá e ter sentido o sofrimento das famílias foi chocante, velar um filho é a pior das dores.

Em fevereiro, Bento XVI renunciou ao papado, uma daquelas notícias inesperadas que nos fazem correr pra dar um plantão, uma adrenalina incrível! Março foi a vez da eleição do novo Papa, foi o segundo Papa que eu tive a honra de anunciar. Me lembro da cobertura do Conclave que elegeu Bento XVI, foi difícil definir a cor da fumaça que saía da Capela Sistina. Já na eleição do Papa Francisco foi mais fácil dizer ´Habemus Papam´, a cor branca se impôs e o mundo conheceu o primeiro Papa Americano, o primeiro Papa Jesuíta, um argentino que conquistou todos pela humildade e simpatia.

No dia 15 de junho eu fui a Brasília para ancorar a abertura da Copa das Confederações, o Brasil enfrentava o Japão, e o país era tomado pelos protestos. Foi uma cobertura intensa em que vândalos se misturavam aos manifestantes legítimos que ganharam as ruas.  Logo em seguida, o Papa Francisco veio ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, outra cobertura e tanto! Estávamos todos conectados 24 horas no ar. E agora nos preparamos pra outro ano cheio: Copa e Eleições, duas coberturas que vão exigir muito de todos nós!

O Prêmio

O "Troféu Mulher IMPRENSA" é realizado e idealizado por IMPRENSA Editorial. Em 2014, a premiação celebra sua 10ª edição consecutiva, e vai homenagear as jornalistas que mais se destacaram em suas áreas de atuação em 2013. As votações vão de 14 de janeiro de 2014 até às 23h59 de 13 de fevereiro. Para mais informações e conhecer a lista de finalistas, clique aqui.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.