Especialistas sugerem filmes, livros e cursos para "focas" no dia do jornalista

Alana Rodrigues e Lucas Carvalho* | 07/04/2014 15:45
Nesta segunda-feira (7/4), comemora-se o Dia do Jornalista. No Brasil, a classe foi homenageada em diversas datas, mas por intervenção da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) ficou definido o dia 7 de abril para lembrar do jornalista e médico João Batista Líbero Badaró, redator do Observador Constitucional. 

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Focas recebem dicas para desenvolverem na profissão

A data é também escolhida pelos jornalistas como o Dia Nacional da Luta em defesa do Diploma, que se iniciou no I Congresso Brasileiro de Jornalistas, em 1918, no Rio de Janeiro (RJ). Naquela ocasião, se reivindicava pela primeira vez, de forma oficial, a criação de um curso específico de nível superior para a profissão.

O ofício jornalístico passa por constantes transformações, sempre na tentativa de comunicar de modo mais eficiente. Os profissionais, entretanto, carregam um desafio que muitas vezes é esquecido: reinventar-se. Para celebrar a data, IMPRENSA conversou com profissionais de imprensa e professores que indicaram uma série de livros, filmes e cursos para quem está no início da profissão. Confira:


Filmes

"A Montanha dos Sete Abutres" (1951) - Dirigido pelo austríaco Billy Wilder (“O Pecado Mora ao Lado”, “Farrapo Humano”), é uma cruel alegoria sobre o mundo jornalístico e suas implicações nas vidas de quem, de uma hora para outra, se vê envolvido por ele. Kirk Douglas vive Chuck Tatum, repórter pouco preocupado com as questões éti­cas que cercam sua profissão e que, para sobreviver, acaba trabalhando num pequeno jornal de uma cidade no interior do Novo México.

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Filme fala do caso Watergate

"Todos os Homens do Presidente" (1976) - Com Dustin Hoffman e Robert Redford no papel dos repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, do Washington Post, conta a história por trás da reportagem que denunciou o “caso Watergate”, escândalo de corrupção que levou à renúncia do então presidente norte-americano Richard Nixon.

"Rede de Intrigas" (1976) - Dirigido por Sidney Lumet (“12 Homens e Uma Sentença”, ‘Um Dia de Cão”), este filme estrelado por William Holden, Peter Finch e Robert Duvall, entre outros grandes nomes da década de 1970, foi indicado a 10 Oscars, incluindo melhor filme, conquistando quatro estatuetas. A trama acompanha uma rede de televisão que, tentando evitar o fracasso fiscal, passa a reformular seu departamento de jornalismo unindo-o ao de entretenimento. A partir daí, a emissora passa investir cada vez mais em sensacionalismo em detrimento da informação séria e imparcial.

Outros: "Froxt/Nixon" (2008), "Boa Noite e Boa Sorte" (2005), "Cidadão Kane" (1941), "O quarto poder" (1997), "Nos Bastidores da Notícia" (1987), "O informante" (1999), "O povo contra Larry Flynt" (1996), "Herói por acidente" (1992), "A vida de David Gale" (2003) e "O custo da coragem" (2003). 


Livros

"Hiroshima" (1946) - O jornalista John Hersey levou 17 dias para entrevistar dezenas de sobreviventes da bomba atômica em Hiroshima (os “hibakushas”) e praticamente dois meses para escrever. Nasceu então a reportagem que faria 300 mil exemplares da revista New Yorker saírem das bancas em menos de um dia. O repórter reconstruiu a história de seis sobreviventes e a reportagem, mais tarde lançada em livro, foi considerada por a melhor já escrita do século XX.

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Obra de Truman Capote
"A sangue frio" (1959) - Considerado o primeiro grande livro-reportagem do século XX, a obra resgata o assassinato de uma família em uma cidade do Kansas (EUA). Truman Capote preparou-se durante anos entre pesquisas, entrevistas e observação para transcrever o universo psicológico dos personagens e relatar os fatos que precederam o crime até a condenação dos assassinos. 

"Fama e anonimato" (2004) - O americano Gay Talese foi um especialista em seguir os passos de celebridades e de pessoas desconhecidas para criar reportagens publicadas nas revistas Esquire e New Yorker. "Fama e anonimato" é uma coletânea de perfis publicados originalmente na imprensa a partir da segunda metade do século XX. Um de seus perfis mais famosos é “Frank Sinatra está resfriado”.

Outros: "Chatô - O Rei do Brasil" (1994), 'Os Sertões" (1902), "A regra do jogo" (1988), "Ser Jornalista" (2009), "Os Elementos do Jornalismo" (2003), "As ilusões Armadas" (2002), "O Povo Brasileiro" (1995), 'Teoria do Jornalismo - Identidades Brasileiras" (2006) e 'Reportagens políticas" (2006).

Cursos


Introdução à Visualização de Dados e Infografia - O Centro Knight para o Jornalismo nas Américas e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) abriram inscrições para o primeiro MOOC no Brasil. A sigla representa massive online open source -plataformas de educação virtual para estudos em jornalismo. As aulas duram quatro semanas, de 14 de abril a 12 de maio, e serão ministradas pelo professor Alberto Cairo, da Universidade de Miami. As inscrições podem ser realizadas no site. O curso é gratuito e os participantes que quiserem receber certificado precisa pagar uma taxa de U$ 30, aproximadamente R$ 70.

Locução para Telejornalismo – Cásper Líbero -  O curso apresenta a utilização de métodos de aquecimento de voz e técnicas vocais (projeção), orientações sobre postura e interpretação diante o teleprompter, construção de offs de matérias e exercícios práticos para reforçar os diferentes estilos de locução (narração, apresentação, reportagem e ancoragem) e a abordagem de diferentes editorias (política, economia, esporte e variedades). As aulas tem início no dia 14 de julho e as inscrições são feitas por meio do site.

Jornalismo Cultural - Senac -  Capacita o aluno a exercer as atividades de repórter de uma editoria de cultura de um jornal, revista ou site. A proposta é estimular uma nova sensibilidade no aluno, instruindo-o com um repertório de conceitos e informações atuais e diversas acerca dos segmentos culturais e artísticos, colocando-o na posição de agente atuante na formação intelectual e no prazer do leitor. A carga horária é de 20h e estão disponíveis nas Unidades Senac Lapa Scipião e Santana. 

Cursos Énois - A escola para jovens do ensino médio que relaciona educação e comunicação lançou um projeto de cursos online de jornalismo. A iniciativa funciona por meio de videoaulas  com professores que trabalham na área e materiais de referência. Um deles é como fazer um videodocumentário. As informações estão disponíveis no site da Énois. 


* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.


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