Mídia Ninja quer cobrir o "lado B da Copa"; coletivo terá novo portal de informação

Alana Rodrigues* | 20/05/2014 15:00
O grupo Mídia Ninja (Narrativas Independentes Jornalismo e Ação) aguarda com ansiedade o dia 3 de junho - data de lançamento do portal Ninja, que vai reunir e compartilhar conteúdo para diversas partes do mundo. O projeto vai servir de apoio à cobertura dos protestos contra a Copa do Mundo.

Crédito: Mídia Ninja
Da janela, criança observa marcha durante a final da Copa das Confederações em 2013 no RJ

O novo portal foi consolidado a partir da parceria com a plataforma internacional de notícias Oximity, cujas informações são coletadas e distribuídas diretamente pelas fontes. Entretanto, a iniciativa não excluirá a participação do Mídia Ninja nas redes sociais.

“O Oximity é um casamento ótimo. É uma plataforma de tecnologia capaz de abrigar toda essa nova lógica de produção e distribuição de conteúdo. Vai potencializar muito as ações do Ninja nas próximas etapas da rede”, disse Rafael Vilela, integrante do coletivo.

Com sistema de edição de conteúdo pelos usuários, os internautas são transformados em co-autores da rede colaborativa. A ferramenta pode ser acessada em mais de 200 idiomas, com mecanismo de tradução automática e manual.

O lado B da Copa

“A grande rede midiativista que se formou no país no último ano dará conta como nunca da cobertura do lado B da Copa, dos fatos e notícias que usualmente não iriam aparecer nas capas da imprensa de massa no país e no mundo”, explica Vilela.

“O Ninja será mais uma iniciativa nesse sentido, de contrapor um imaginário equivocado da imagem do Brasil que se tenta vender para fora, uma lógica empresarial de organização de grandes eventos com os mandos e desmandos da Fifa, a ação violenta do aparato repressivo do Estado que criminaliza movimentos nas ruas e mata nas periferias, entre tantos outros assuntos”, pondera.

A rede Ninja

Segundo Vilela, milhares de colaboradores estarão envolvidos com a cobertura direta do Mundial, não apenas nas 12 cidades-sede, mas espalhados por todo o país. Além da parceria com o Oximity, o Ninja se aproxima de outros grupos de comunicação independentes que estão focados no evento.

“As parcerias nacionais e internacionais não pararam de crescer desde junho. A formação dessa ecologia midiativista, por si só, já é uma grande parceria, um braço-irmão de coletivos e jornalistas independentes que se somam e colaboram, ao contrário da grande imprensa, que vive na lógica da competição”, ressaltou.

Expectativas

O colaborador avalia que a grande questão está na capacidade de diálogo e de mostrar a diversidade de pensamento e ações voltadas para o país. “Esse mosaico de parcialidades que somado consegue dar uma leitura muito mais complexa da realidade brasileira”, explica.

Para Vilela, todos que participarem na cobertura do “lado B da Copa do Mundo” vão utilizar do processo de redes mundiais de mídia independentemente e de mídia ativismo. De acordo com ele, apenas uma pequena parte da imprensa internacional conseguirá cobrir os jogos e o que realmente acontecerá. “É um sistema fechado, feito para a Fifa lucrar, então muita gente está vindo aqui para ver um outro Brasil, conhecer os movimentos, se integrar. Disso devem surgir muitas coisas novas”, esclarece.

“Só nesse ano fomos acionados por movimentos para produzir nove documentários sobre temas diversos, dos seringueiros no Acre, a questão do Petróleo e o pré-Sal, há muito no que se aprofundar. Temos ainda as eleições chegando e isso deve ser um grande tema de debate no Brasil. Também estaremos focados nisso”, conclui.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.

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