“Focas de Copa”, profissionais que vão cobrir o primeiro Mundial falam de suas expectativas

Jéssica Oliveira | 11/06/2014 18:15


Às 11h30 do último dia 7 de maio, televisões, rádios e wi-fi estavam ligados para conhecer os convocados por Felipão para a Copa do Mundo 2014. Dos 23 jogadores, cinco já haviam disputado um Mundial, um ficou no banco de reservas e 16 conquistaram a sonhada vaga na seleção. Mas não foi só Felipão que deu a muitos a primeira oportunidade de entrar em campo. Os veículos de comunicação fizeram suas escalações, misturando profissionais experientes e iniciantes.

Pensando nisso, IMPRENSA conversou com 11 profissionais que vão cobrir o seu primeiro Mundial, os “Focas de Copa”. Eles falaram sobre o momento em que foram escalados, a preparação para o desafio, a missão durante a cobertura e as expectativas. Na galeria, conheça um pouco da carreira e a relação com futebol de cada um, além de outros trechos das entrevistas. 

Surpresa!
Ciro Campos, do jornal O Estado de S. Paulo, não esperava ser escalado, já que o número de credenciais é limitado e na Copa das Confederações ele ficou de apoio na redação. Além de acompanhar os treinos das seleções concentradas em São Paulo, ele vai cobrir alguns jogos na capital e apoiar o fechamento, se necessário. 

“Acredito que para todo jornalista esportivo uma Copa do Mundo seja um prêmio e um divisor de águas capaz de dar boas experiências e amadurecimento profissional. A rotina será bastante cansativa e vamos viver dias totalmente diferentes de todos que já vivemos. Estou ansioso e sei que vou vivenciar um período inesquecível na minha vida”, diz.

Formado em publicidade e jornalismo, a última coisa que Daniel Ottoni, do jornal O Tempo, poderia imaginar era cobrir a Copa do Mundo. Com apenas três anos de carreira e trabalhando como repórter de esportes especializado, ele cobria todas as modalidades, menos futebol. 

“Nos plantões sempre fazia algo de futebol, acho que o pessoal foi percebendo. Fiquei muito feliz com o reconhecimento e oportunidade do jornal. Não tenho nem palavras para essa sensação”, diz ele, que vai cobrir as oitavas e as quartas de finais em Fortaleza e a disputa do 3º lugar em Brasília.
Crédito:Arquivo Pessoal
Apaixonada pelo esporte, Ana jogou futebol dos 9 aos 18 anos

Já Ana Thais Matos, da Rádio Globo, recebeu a notícia há menos de um mês. “Vou fazer de tudo. Desde a pré produção (que envolve estúdio, produção, redes sociais, etc) até os jogos ao vivo e in loco”, conta animada. 

Além do reforço no inglês, ela tem conversado com profissionais experientes e segue cheia de expectativas. “Quero que a seleção Brasileira faça um grande mundial e volte a se identificar com o seu povo. Espero superar minhas expectativas como profissional, que eu saia uma repórter melhor, com uma visão mais humana do futebol”.

Malas prontas
Em razão do Mundial acontecer no Brasil, a Rádio Gaúcha, do Grupo RBS, terá pelo menos um profissional em cada cidade-sede, entre eles Fábio Nabinger, repórter e produtor de esportes, e Eduardo Matos, repórter de geral e apresentador do “Correspondente Ipiranga”.
 
Ao contrário do Mundial de 2010, em que ficou na retaguarda, Nabinger viajará 3.143 km de Porto Alegre (RS) a Manaus (AM) para acompanhar a primeira fase de grupos. “Vou sair totalmente da nossa realidade. É a grande chance da minha vida. Espero fazer um bom trabalho, para que essa seja apenas a primeira cobertura de Mundial, não a única”, diz ele, que fará pré e pós-jogo, além do entorno da arena, o que inclui trânsito, infraestrutura e segurança, por exemplo. 

Emprestado da editoria de geral, Matos vai acompanhar a primeira fase em Natal (RN). Para ele, a pouca experiência na área esportiva só vai ajudar. “Em uma cobertura que não estamos acostumados pegamos o detalhe do detalhe, que geralmente o repórter da editoria não pega. Espero trazer para os ouvintes todas as informações que eles buscariam em Natal relacionadas a Copa do Mundo. Dando essas informações estou realizado”, diz ele que fará áudios, textos e vídeos.

Helder Guimarães Junior, da Gazeta Esportiva, participou da cobertura dos dois últimos Mundiais, mas sempre da redação ou fazendo matérias de ambiente nas ruas. Ele, que cobre a seleção brasileira desde 2008, soube que estava convocado em 2013. "Será especial, sem dúvida, acompanhar a competição de perto desta vez".

Segundo ele, que vai acompanhar os jogos da seleção e pode cobrir a partida entre Espanha e Holanda, a cobertura vai além dos jogos, treinos e entrevistas coletivas. "Queremos buscar personagens, situações e histórias de apelo em cada uma das cidades-sedes por que passarmos”. 

Crédito:Arquivo Pessoal
Renato vai acompanhar o trajeto do torcedor em Pernambuco
No quintal de casa
Em 2013, Renato Barros, da CBN Recife, cobriu o treinamento das seleções que jogaram na Arena Pernambuco. À época, foram percebidos vários problemas de mobilidade e a rádio resolveu dar atenção especial a este ponto durante o Mundial. Por isso, Barros fará o mesmo trajeto que os torcedores nos dias de jogos.

“[Será] Uma experiência muito gratificante, pois vou ter a oportunidade de sentir na pele como é ser um torcedor que vai acompanhar uma partida de Copa do Mundo. Fiquei muito feliz, pois o evento gera um enriquecimento profissional incrível”, diz.

No jornal O Povo desde 2011, Aflaudisio Dantas foi de estagiário de cotidiano a repórter de esportes e agora vai encarar um Mundial – mesmo sem credenciamento da Fifa. “Irei cobrir o entorno do estádio e as manifestações que devem ocorrer. Dificilmente terei outra chance de cobrir um evento como esse”, afirma. Segundo ele, a preparação tem sido diária com projetos especiais e convivência com profissionais experientes. “Eles passam um pouco de conhecimento para nós, debutantes”.

Assim como Dantas, o fotógrafo Chico Ferreira, da Gazeta Digital, não conseguiu credenciamento. Mas nem por isso ficará de fora do Mundial, que passará por Cuiabá (MT), sede do jornal. “Fiquei muito feliz vou fazer parte dessa história”, afirma. Com 24 anos de casa, ele está acostumado a cobrir de tudo e pretende dar o seu melhor do lado de fora do estádio. “Vamos fazer entorno da arena, Fan Fest, manifestações... Aqui é nosso quintal”.

Crédito:Alexandre Battibugli/Placar
Breiller irá acompanhar a seleção
Um olhar especial
Durante o evento, jogadas diferenciadas serão vistas dentro e fora de campo. A Placar, por exemplosairá um pouco da dinâmica de revista de futebol mensal, de priorizar o jogo e os bastidores em todas as suas coberturas, para um formato mais hard-news. 

“Vamos publicar edições especiais depois de cada jogo do Brasil, além de uma ampla cobertura com notícias e análises em nosso site”, conta o repórter Breiller Pires, que vai cobrir o dia a dia da seleção brasileira e talvez alguns jogos no Maracanã. “Essa será a Copa da minha vida”.

Formado em 2012, Rafael Regis dos Reis está na ESPN Brasil desde 2011 e soube que cobriria o Mundial há cerca de três meses. “Fiquei animado, mas parecia uma coisa meio surreal”. Em Manaus, São Paulo, Fortaleza e Porto Alegre, Reis fará matérias de jogos, treinos, ambiente e cultura.

Para ele, não são só os "Focas" que estão na expectativa. "O fato do evento ser no Brasil traz um toque de novidade para todos os veículos de mídia. São raríssimos os companheiros que cobriram o Mundial em 50. Mesmo os profissionais mais experientes em Copas respiram esse ar de novidade".
 
Após a preparação física e psicológica, todos estão a menos de 24 horas da estreia oficial, seja dentro das quatro linhas, nas ruas ou nas redações de norte a sul do país. A ficha, se faltava, caiu, e a certeza entre eles é uma, garante Ana. “Chegou a hora que tanto esperamos! #VaiTerCopaSim”.


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