"Você não pode fazer um tuíte e chamar de jornalismo", diz colunista do "NYT"

Redação Portal IMPRENSA | 04/08/2014 11:30
Os jornalistas David Carr e Graciela Mochkofsky aproveitaram suas passagens pela 12ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no último sábado (2/8), para debater a situação da mídia em tempos de internet. "Você não pode ficar sentado, lendo as coisas na internet, e contar ali uma historinha, [fazer] um tuíte, e chamar isso de jornalismo", destacou Carr.
Crédito:reprodução
O repórter americano David Carr é colunista de mídia e cultura do New York Times
O repórter americano é colunista de mídia e cultura do jornal The New York Times. Já Graciela Mochkofsky, que está há alguns anos longe das redações argentinas, acabou de lançar no Brasil, em e-book, o livro-reportagem “Estação Terminal”. Ambos participaram da mesa "Narradores do poder", sob mediação do também jornalista João Gabriel de Lima. 

Segundo o G1, Carr mencionou ainda a influência e os ensinamentos do reconhecido jornalista Gay Talese. "Ele nos lembra de que nós [jornalistas] somos pessoas que devem ir para rua, sair do prédio, e encontrar pessoas mais interessantes do que nós."

Ele se disse otimista e acredita que "nem tudo está perdido" na profissão. Para ele, "uma fonte de tristeza" é o governo dos Estados Unidos. "Fico até desapontado, porque este presidente prometeu ser o mais aberto de toda história", destacou.

"Ao longo do tempo, espero que apareça uma luz para clarear as coisas e ajudar a democracia a seguir adiante novamente. Espero que o jornalismo seja uma força para o bem, agora e no futuro", disse.

A argentina Graciela disse que encontrou nos livros a forma de fazer jornalismo independente. "Deixei a mídia há dez anos porque cheguei à conclusão de que não é possível fazer jornalismo na mídia", pontuou. Além do livro "Estação Terminal", ela produziu "Pecado Capital", em que narra a relação inicialmente amistosa entre os Kirchner e o comando do jornal El Clárin, que depois se transformou numa disputa. 

“Até os anos 90, havia jornalistas independentes na Argentina. Quem não tinha uma posição política, era visto com suspeita. Com os Kirchner no poder, militante é quem está do lado do governo e independente, quem é da oposição, mas que na verdade trabalha por uma agenda que pretende substituir o governo", defendeu ela.

Carr também comentou sobre a obra "A noite da arma". Nele, o jornalista resgata uma história pessoal de superação: como venceu o alcoolismo e a dependência química. O texto está estruturado como um livro-reportagem, em que Carr entrevistou amigos, foi em busca de boletins de ocorrência na polícia e documentos esquecidos para reconstruir fatos da própria vida dos quais não se lembrava.

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