Terra demite pelo menos 100 funcionários; redação é a área mais afetada

Redação Portal IMPRENSA* | 13/08/2014 11:15
Atualizado às 13h45

O portal de notícias Terra confirmou nesta quarta-feira (13/8) o processo de demissão em seu quadro de funcionários. IMPRENSA apurou que a parte mais afetada foi a redação, podendo chegar a 100 cortes. Em São Paulo, mais de 50 funcionários foram desligados, incluindo toda a equipe de fotografia e o editor-executivo. Já em Porto Alegre (RS), 16 profissionais foram desligados, sobrando apenas quatro repórteres.

Crédito:Reprodução
Terra demite cerca de 100 funcionários em nova reestruturação

Um dos funcionários demitidos, informou à IMPRENSA que 50% do editorial será desligado da empresa. O Terra alegou aos trabalhadores que o portal passará por uma reformulação. Há indícios de que o site deixará de ser atualizado 24 horas.

Os cortes atingem números próximos aos da última onda de demissões, ocorrida em dezembro de 2012, quando cerca de 150 pessoas foram cortadas em diversas áreas, como administração, TI, redação e marketing. Até o momento, ocorreram 16 desligamentos em Porto Alegre (RS) e no Rio de Janeiro (RJ) somente dois funcionários serão mantidos.

O portal confirmou os desligamentos, mas não forneceu mais detalhes sobre a medida. Em comunicado, a empresa alega que visa adequar sua estrutura e recursos, alinhando suas unidades, além de promover uma reestruturação em todas as áreas. "O Terra agradece os seus colaboradores por toda sua dedicação e trabalho", finaliza o texto.

Áreas afetadas

Outras áreas afetadas pelo passaralho foram "Esporte" - quatro da redação e seis da TV, "Diversão", DOOH (Digital Out of Home), RH, Compras e Publicidade. Alguns nomes também já foram confirmados como o de Fábio Condutta, Gerente de Arte, e Renato Moikano, chefe de "Diversão".

Medidas contra os cortes

Segundo José Augusto Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, as demissões no Terra estão sendo avaliadas pelo departamento jurídico da entidade, na tentativa de uma representação coletiva contra o portal. "Estamos vendo qual é a situação juridicamente mais adequada, porque na base da negociação não temos conseguido nos entender com eles".

Camargo diz que o grande problema neste caso é que muitas empresas de internet, como o Terra, não se reconhecem como veículos jornalísticos e, por isso, não respeitam as convenções trabalhistas do Sindicato. 

Celso Schröeder, presidente da Fenaj, repudiou a demissão em massa de funcionários do portal Terra. O dirigente afirma que "há uma crise econômica infundada na qual os grandes empresários usam o cenário desfavorável internacional para justificar uma má gestão ou um posicionamento editorial, que escolhe o jornalismo de entretenimento para rebater a concorrência da informação na internet".

Para o dirigente da Fenaj, os empresários alegam uma necessidade de reorganizar seu pessoal por conta de uma eventual crise econômica, no entanto, "no Brasil não houve uma crise econômica, muito pelo contrário. Tanto é que o setor vem ganhando incentivos do governo que não são revertidos para os trabalhadores".

"Estamos preocupados com o que vem ocorrendo, não é de agora. Em Minas Gerais e em São Paulo já vinha acontecendo isso de maneira paulatina. A própria RBS já havia demitido 40 desde o inicio do ano e agora mais de 130 funcionários", ressalta Schröeder.

O presidente diz que a Fenaj tenta juntamente com os sindicatos regionais reverter as demissões e garantir que tudo ocorra no limite da lei trabalhista. "Há uma limitação prevista na CLT que impede demissões em massa", garante.


Milton Simas, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, lamentou a nova leva de demissões atingindo a redação do Terra em Porto Alegre (RS). "Muitos falam que a crise está no jornalismo impresso, mas parece estar generalizada. O Terra já estava desde o ano passado concentrando alguns serviços em São Paulo e, com isso, realizou cortes nessa época aqui no Rio Grande do Sul".

"Algo também lamentável é a empresa contratar jornalistas pelo Sindicato dos Trabalhadores de Processamento de Dados, o que acaba precarizando o trabalho jornalístico. É uma forma de não pagar os direitos a esses jornalistas. É uma situação muito preocupante", afirma Simas.

Ele conclui informando que a entidade pretende conversar com o departamento jurídico para avaliar a situação. "Mas, como esses trabalhadores não estão regidos pelo acordo coletivo do Sindicato dos Jornalistas, a questão é saber se nossa ação terá validade na Justiça".

* (Vanessa Gonçalves, Danúbia Paraízo, Rodrigo Álvarez, Jéssica Oliveira, Lucas Carvalho, Alana Rodrigues e Christh Lopes)

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