“O Globo” aproveita corrida eleitoral para lançar núcleo de jornalismo de dados

Christh Lopes* | 28/08/2014 13:15
A corrida eleitoral é o momento que revela a maior quantidade de números e estatísticas sobre o comportamento do brasileiro. Sejam eles de intenção de voto ou de questões como renda, os levantamentos são constantes no cotidiano nesse período. Para aproveitar isso, O Globo lançou seu Núcleo de Jornalismo de Dados, que analisará temas do nosso dia a dia sob a ótica interativa de diversas ferramentas gráficas, que auxiliam na compreensão dos dados.

Crédito:Divulgação
Fabio Vasconcellos é um dos jornalistas envolvidos no novo departamento do jornal

A iniciativa é coordenada pelo editor-executivo de multimídia Chico Amaral e integra um dos projetos da nova fase do jornal, que aposta na produção de conteúdo digital. Voltado para este meio, o blog “Na Base de Dados” reunirá todos os trabalhos do Núcleo, elaborados pelos jornalistas Fabio Vasconcellos e Gabriela Allegro.

Quem visitar a página poderá encontrar análises, gráficos, infográficos e reportagens produzidas pela equipe do diário, com a ajuda da dupla de repórteres. À IMPRENSA, Vasconcellos revela que nos próximos dias será divulgado um levantamento sobre a área de cultura, além da corrida eleitoral acompanhada a vigor pelo blog. 

IMPRENSA  — Qual é a importância de um núcleo de dados para os veículos?
Fabio Vasconcellos — Com a disponibilidade de dados na web, as ferramentas de análise e organização de dados a importância para o jornalismo é total. A cultura do OpenGovernment que, embora ainda seja precária no Brasil, é uma importante mudança que vem ocorrendo no mundo. O jornalismo não poderia desperdiçar essa oportunidade de subsidiar a sua produção com dados, estatística e números.
 
De que forma o jornalismo de dados contribui para uma reportagem? 
Pode ser um ponto de apoio às reportagens que são propostas pelas mais diversas editorias. Nesse caso, podemos ajudar fornecendo dados que enriqueçam as reportagens, tornando-as mais robustas. Mas também podemos propor reportagens a partir das nossas buscas. Diariamente estamos garimpando dados, analisando padrões e pensando em reportagens e posts para o blog.
 
Quais ferramentas estão disponíveis na iniciativa ?
Utilizamos ferramentas free, que estão ao alcance de qualquer usuário de internet, mas também programas específicos para análises estatísticas, produção de gráficos e infográficos interativos. 
 
De que forma será feito o diálogo entre a redação e o núcleo? 
Diariamente, recebemos a pauta da redação e vemos onde podemos ajudar. Paralelo a isso, podemos sugerir reportagens a partir das nossas buscas. Nesse caso, o editor-executivo Chico Amaral é o responsável por esse fluxo entre o núcleo e as editorias. Mas também recebemos demandas de colegas com dúvidas sobre um cálculo, uma tabela, enfim, casos que eles nos procuram. Se não tivermos a resposta, buscamos. 

A iniciativa pretende integrar os jornalistas a maneira de trabalhar com os dados?
Acredito que sim. Essa cultura de utilizar dados será crescente e acredito que em breve teremos mais colegas envolvidos nisso dentro das suas próprias editorias. Não temos como fugir porque hoje muita informação chega através de planilhas eletrônicas, bases de dados, pesquisas. Há vários colegas n'O Globo que entendem de dados, têm curiosidade nessa área e dominam o uso de planilhas eletrônicas. E isso tudo independentemente de o Núcleo de Dados existir ou não. 

À IMPRENSA, Gustavo Faleiros declarou que a tendência é que o jornalista se torne um organizador de dados. Concorda com tal afirmação?
Em parte sim, mas não diria "o" jornalismo; diria que parte do jornalismo vai e já está absorvendo essa cultura porque o leitor também espera que saibamos organizar dados que são quase infinitos hoje. Haverá, claro, espaço para todos, inclusive, com as técnicas que já existem. Uma bela entrevista, por exemplo, muitas vezes é o ponto central de uma reportagem, sem o uso de qualquer dado numérico. A busca e análise de dados é apenas mais uma técnica de apuração. 
 
No primeiro momento, o blog focará na cobertura eleitoral ou pretende usar dados, por exemplo, solicitados pela Lei de Acesso à Informação?
O blog está atento à agenda do dia da nossa cidade, do nosso estado e do país. No momento, a agenda está tomada pelo processo eleitoral. Quando acabar a eleição, direcionaremos as nossas forças para as reportagens sugeridas pelos colegas das outras editoriais, bem como para os nossos levantamentos. Embora estejamos em plena eleição, a Gabriela Allegro, a minha parceira nesse projeto, está mergulhada num levantamento incrível para a área de cultura.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

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