Aécio Neves processa Twitter para ter acesso a dados de 66 usuários; dois são jornalistas

Redação Portal IMPRENSA | 09/09/2014 09:00
O candidato à Presidência da República Aécio Neves, do PSDB, decidiu processar o Twitter para cobrar os dados cadastrais e o IP de 66 usuários da rede social que são acusados pelos defensores do político de "atuar em rede" para "disseminar conteúdo ilícito" contra ele.

Crédito:Divulgação/ Aécio 45 Presidente
Candidato acusa usuários do microblog de difamação

De acordo com a Folha de S.Paulo, esta é a quarta ação que o tucano move contra provedores de redes sociais na intenção de identificar "detratores". Neste caso, o juiz Helmer Augusto Toqueton Amaral determinou que o Twitter repasse os dados dos usuários em até cinco dias, mas proibiu que os cadastros sejam entregues aos advogados.

Amaral solicitou que a banca de defesa do candidato envie relatórios para comprovar a publicação de calúnias ou difamações contra o políticos nos perfis mencionados. O magistrado negou o pedido do tucano para que o processo ocorresse em segredo de Justiça e para que os usuários não fossem alertados.

Com a medida, os 66 usuários receberam um e-mail do Twitter no último sábado (6/9) para avisar que as contas eram "objeto de ordem liminar" do processo. No fim da tarde do mesmo dia, quatro dos 66 perfis haviam sido excluídos. 

O coordenador jurídico da campanha do tucano, Carlos Sampaio, reiterou que a ação quer apenas "identificar os detratores" e informou que houve uma falha no mapeamento dos perfis, o que incluiu dois jornalistas na ação. Entre os conteúdos questionados estão "apropriação de recursos da saúde de Minas Gerais, agressão à namorada, crime de evasão de divisas, uso e transporte ilegal de drogas". 

"Os jornalistas apenas replicam conteúdo, sem má fé deliberada. Queremos apenas identificar esses usuários, pois acreditamos que poderemos desbaratar mais uma quadrilha de difamação virtual a partir desses dados", acrescentou.

Em texto publicado na última segunda-feira (8/9) no DCM, o jornalista Paulo Nogueira, editor do site, diz que não faz "acusações levianas e irresponsáveis", ressalta que já votou em candidatos do PSDB e que as divergências com Aécio "residem apenas no campo das ideias".

A publicação ouviu cinco usuários incluídos na lista do tucano. Todos negaram ter publicado conteúdo calunioso ou difamatório na rede social. Um deles, o cineasta Pablo Villaça, disse que, como cidadão mineiro, tem o direito de criticar a gestão de Neves. "Tudo o que já escrevi foi sobre a candidatura dele. Vida privada não me interessa", ponderou.

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