"Entretenimento não deixa de ser jornalismo", diz César Filho ao comentar retorno à Record

Lucas Carvalho* | 25/11/2014 16:45
No dia 5 de novembro, a Rede Record anunciou a contratação do jornalista César Filho para integrar a equipe do canal em 2015. Após quase dez anos no SBT, o apresentador vai comandar um reality show inspirado num modelo norte-americano de disputa entre casais – o “Power Couple”. À IMPRENSA, ele fala sobre a mudança e os novos desafios na carreira.

César Filho começou a carreira na própria Record, mas já passou pela Rádio Jovem Pan, Band, Globo e até pela extinta TV Manchete. Sempre buscando trazer descontração para o seu trabalho, o jornalista afirma que essa nova etapa é apenas uma continuação natural em sua jornada pelos ramo do entretenimento e do jornalismo.

Crédito:Divulgação
César Filho revela que foi difícil decidir sair do SBT

IMPRENSA – O que te motivou a deixar o SBT e assinar com a Record?
César Filho – A motivação maior foi o desafio profissional, a proposta de programas que eu vou apresentar foi o mais motivador, sem dúvida nenhuma. Foi tudo muito às claras, não teve nada escondido, a negociação foi bem aberta.

Como você tem se preparado para apresentar um reality show?
É uma experiência totalmente nova. Na verdade, eu estou assistindo a série original em DVD que a Record cedeu para mim, para que eu possa ir me familiarizando. É claro que isso serve para que eu tenha uma ambientação de como ele é feito lá fora, mas o que vai valer mesmo, sem dúvida, vai ser quando fizermos os ensaios e as adaptações para o que nós vamos fazer aqui.

O que os últimos anos no SBT te acrescentaram como profissional?
O SBT é uma grande emissora para você trabalhar. Uma empresa extraordinária, principalmente pela liberdade que você tem no jornalismo. No meu caso, foi onde eu atuei a maior parte do tempo. Você sente uma liberdade muito, mas muito grande, para trabalhar. E isso, para quem faz jornalismo, na área de informação, é primordial. Isso foi diferente de todas as emissoras em que eu trabalhei.

No SBT, você consegue falar com todas as pessoas, com a direção, com o próprio Silvio [Santos, dono da rede], você tem acesso a todas as pessoas, sabe? É uma emissora fácil, gostosa de trabalhar, o ambiente é extraordinário e eu fui muito feliz lá durante quase dez anos. Não tenho nada o que reclamar. Por isso, foi uma decisão muito difícil para mim, eu fiquei dividido entre razão e emoção.

Voltar para a emissora onde você começou a carreira tem algum significado especial?
Com tanto tempo de casa, ter sido tão feliz dentro do SBT, foi bastante difícil tomar a decisão para sair. Mas, para mim, foi muito motivador, depois de tanto tempo de carreira, ser desejado por uma outra grande emissora como a Record. Foi lá onde eu comecei, a primeira vez que eu fui ao ar, a primeira com a qual tive um contrato... Tudo isso faz parte da minha história. Não tem como. Por mais que você diga que não, por mais que tenha mudado qualquer situação, ela faz parte de mim. Ela está em todos os meus registros: em papel, na minha carteira profissional, e no meu registro afetivo. É como se eu estivesse começando a minha carreira novamente.

Trabalhar com entretenimento será um desafio para você depois de uma carreira no jornalismo?
As pessoas falam muito isso, mas eu sempre naveguei nos dois mares. Eu comecei no jornalismo, mas fiz também o “TV Mulher”, que era um programa de entretenimento na própria Globo; fiz o “Fantástico” tanto no jornalismo quanto no entretenimento, já que era uma revista eletrônica; fiz o “Almanaque” na TV Manchete, que também era de entretenimento; no SBT, fiz o “Ver para crer”... Então, eu não tenho essa divisibilidade de um ou de outro. Sempre fiz bem as duas coisas. Tanto que a Record está me contratando para os dois departamentos.

Então existe a possibilidade você voltar ao jornalismo na Record?
A Record acredita hoje na informação, independentemente de onde ela venha. Se você pegar, por exemplo, o “Domingo Show” [apresentado por Geraldo Luis], ele é entretenimento, mas tem informação. Apesar de o nome ser “show”, ele mistura entretenimento com jornalismo. E eu acho que a televisão está caminhando numa trajetória que não tem como fugir disso.

Está havendo uma conversão do jornalismo para o ramo do entretenimento?
Não acho que seja uma conversão, é informação! Você pode ter jornalistas especializados em determinados assuntos: polícia, economia e também em entretenimento. O entretenimento não deixa de ser jornalismo também. Eu prefiro trabalhar com o título “informação”. Não importa como ela venha, como ela seja. Esse é o caminho que a Record está investindo. E eu mesmo venho por esse caminho. Na “TV Mulher”, a gente falava de tudo. Eu fiz rádio muito tempo, e já fiz programas de notícia, musicais, de tudo um pouco.

E para a bancada, o hard news diário, você ainda tem interesse em voltar?
Não, não, não. A não ser que haja a necessidade. Se a emissora para a qual eu estiver trabalhando precisar de alguém para fazer isso, eu não vou dizer “não”. Mas se você perguntar se é o meu desejo: não, não é. Eu prefiro a liberdade, o improviso, poder ficar mais solto e poder usar mais a comunicação do que só a leitura de um texto.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

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