Carlos Costa assume direção da Cásper Líbero e propõe novidades nos cursos

Alana Rodrigues* | 19/03/2015 13:30
Doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, o professor Carlos Costa, 65, assumirá na próxima terça-feira (24/3) a direção da Faculdade Cásper Líbero com novas propostas para os cursos de comunicação.

"Tenho o privilégio de assumir a direção da Faculdade Cásper Líbero num momento muito bom de sua história. Os quatro cursos de graduação (Jornalismo, Rádio TV e Internet, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda) são muito bem avaliados, tanto pelo Ministério da Educação quanto pelos rankings e pesquisas de mercado", relata.

Os projetos de Costa estão ligados a cinco frentes de trabalho. A primeira, busca interdisciplinariedade entre as quatro graduações, com Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) que contemplem a participação de alunos de diferentes cursos em um projeto comum, além da dupla graduação, na qual o estudante poderá, em 13 semestres, obter dois diplomas.

A segunda proposta, já em atividade, é a junção do Centro Interdisciplinar de Pesquisas (CIP) com o programa de mestrado. Os alunos bolsistas em iniciação científica trabalharão em sintonia com as linhas de pesquisa do Mestrado. Outra meta é investir na formação do corpo docente e oferecer cursos internos de formação em práticas de ensino ligadas a recursos de novas mídias e externos. 

A internacionalização da faculdade, com acordos de troca de alunos e professores e estágios com universidades do exterior também estão na pauta. Com acordos com a Sorbonne, Universidade Autônoma de Barcelona, a Universidade de Antioquia, em Medellín, na Colômbia, o foco será nos acordos entre instituições da América Latina.

Ensino x Mercado

O professor avalia que o ensino do jornalismo hoje é fundamental em meio à facilidade de transmitir notícias, fatos e versões. "É necessário a formação de profissionais com capacidade para interpretar e dar significado a esses fatos, contextualizando e fazendo o recorte necessário a essa quantidade de informação", destaca.

Em um mercado cada vez mais amplo com a utilização de novas plataformas e, ao mesmo tempo, concorrido, ele pontua que a Cásper forma comunicadores capazes de ler e interpretar o mundo em que vive para responder às exigências profissionais.

"O jornalismo hoje acontece nesse mundo em que as mídias digitais se transformaram na grande plataforma. No caso do ensino, elas não são um objetivo em si, mas uma das ferramentas", pondera.
 
Dilema da formação

A volta da obrigatoriedade do diploma de nível superior em jornalismo para o exercício da profissão voltou a ser discutida este ano. O presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), colocou na pauta de votações uma PEC que trata do tema.

Crédito:Divulgação
Carlos Costa propõe interdisciplinariedade nos cursos da Cásper Líbero

Desde 2009, o Congresso discute uma resposta à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que revogou a exigência do diploma. Na época, a maioria dos ministros considerou que o decreto-lei 972 de 1969 era incompatível com a Constituição, que garante a liberdade de expressão e de comunicação. 

A proposta foi aprovada em 2010 por uma comissão especial da Câmara. No novo texto, a necessidade do diploma em jornalismo e do registro profissional nos órgãos competentes não representam uma restrição às liberdades de pensamento e de informação jornalística. 

O professor Carlos Costa avalia que a exigência do diploma não é originado de uma lei, mas de uma necessidade. "A discussão da obrigatoriedade do diploma é um exercício inútil. Quem iria abrir mão de um profissional bem preparado para contratar um amador?", acrescenta.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.

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