"Jornal Nacional" faz mea-culpa sobre edição de debate entre Lula e Collor

Redação Portal IMPRENSA | 23/04/2015 09:30
Na quarta-feira (22/4), a Globo fez um mea-culpa sobre a edição do último debate entre Luiz Início Lula da Silva e Fernando Collor de Melo nas eleições de 1989, informou o jornal Folha de S.Paulo.

Crédito:Reprodução
Emissora alegou erro em edição do debate presidencial de 1989

O "Jornal Nacional" do dia seguinte à exibição ao vivo do debate virou alvo de críticas por beneficiar Collor. A Rede Globo sempre negou que houve "má-fé", mas admitiu que não foi uma edição equilibrada. 

"Um debate entre candidatos é um confronto de ideias que precisa ser visto no todo", declarou o jornalista William Bonner. "Resumir, como se faz em um jogo de futebol, com os melhores momentos, que foi a ideia na época, é um risco enorme", acrescentou.

O Caso

Em 1989, os brasileiros foram às urnas para eleger o novo presidente da República, na primeira eleição presidencial pelo voto direto depois de 29 anos. Havia 23 candidatos, entre os quais estavam os líderes dos principais partidos políticos.

Entre o primeiro e o segundo turno, houve dois debates entre os candidatos Collor e Lula. O primeiro foi nos estádios da TV Manchete, em 3 de dezembro. O segundo, no dia 14, ocorreu nos estádios da Bandeirantes.

No dia seguinte, a Globo apresentou duas mat?rias com edições do debate: uma no "Jornal Hoje" e outra no "Jornal Nacional". Ambas foram questionadas por mostrar um equilíbrio que não houve e favorecer Collor. Mas foi a edição do "JN" que provocou polêmica.

A emissora foi acusada de ter favorecido o candidato na seleção dos momentos exibidos e no tempo destinado a cada um deles, já que Collor teve um minuto e meio a mais do que Lula. O PT moveu uma ação no Tribunal Superior Eleitoral, solicitando que novos trechos do debate fossem apresentados antes das eleições, como direito de resposta. O recurso, entretanto, foi negado. 

A própria liderança do partido reconheceu que Lula não se saíra bem no debate. Tempos depois, os responsáveis pela edição do "JN" alegaram que utilizaram o mesmo critério de edição de uma partida de futebol, ao selecionar os melhores momentos de cada time. De acordo com eles, a intenção era que ficasse claro que Collor havia sido o vencedor do debate, uma vez que Lula realmente havia se saído mal.

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