Revista de estudantes sobre políticas afirmativas pode se tornar definitiva

Christh Lopes* | 03/04/2014 16:45
Para que uma iniciativa se torne real é necessário um planejamento eficaz. E com o intuito de criar uma revista sobre políticas afirmativas, estudantes da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) apresentaram um projeto que deu o que falar. Com o nome de “Afirmativa”, a publicação surpreendeu a todos e pode se tornar definitiva em circulação trimestral.

Crédito:Divulgação
Revista dos estudantes faz sucesso pode se tornar definitiva

No entanto, para a proposta ser lançada, foi preciso um combinado de força de vontade. Com a ideia de fazer um veículo de comunicação que falasse diretamente com o estudante e para ele, Denize Ribeiro, coordenadora da Coordenadoria de Políticas Afirmativas (CPA) da Pro-Reitoria de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis (Propaae) da UFRB, recomendou aos alunos cotistas do curso de jornalismo a criação de um periódico sobre o assunto.

No entanto, o tempo era curto, “uma vez que pretendíamos lançar e distribuir durante o I Encontro de Estudantes Negras, Negros Indígenas, Cotistas e Quilombolas da UFRB que aconteceu de 17 a 19 de março deste ano”.

“Imagine fazer isso em três semanas?”, questiona Alane Reis, editora chefe da revista Afirmativa. Com um processo de produção intenso, não faltou empenho para cumprir os prazos. “Quem conhece a dinâmica de produção de uma revista sabe o trabalho que é da primeira reunião de pauta à finalização do boneco, ainda com o trabalho de divulgação, que é a alma da comunicação”. Mesmo sem o retorno financeiro.

Alane conseguiu montar uma equipe e já pensa no próximo desafio no comando da publicação, “conseguir o financiamento para produção, porque a Afirmativa foi prioridade inigualável em nossas vidas, ficou complicado manter as outras atividades, as que pagam nossas contas (risos)”. 

Tendo em vista um público que tenha interesse por uma sociedade justa e igualitária, a universitária acredita que o grupo de formação deste periódico se identifica com o chamado Jornalismo Literário; “é nessa linha que pensamos em seguir, por consequência, o público que se interessa é também que queremos atingir”. Para ela, o desafio é fazer com que a revista seja lida por pessoas que, atualmente, não têm o hábito de leitura. “Queremos manter a vida da Afirmativa e de veículos com essa proposta. Entendemos que só quando negros, indígenas, pobres, homossexuais e as ditas minorias sociais, estiverem na Universidade é que isso será possível”. 

Em uma fase experimental, a universidade apoiou o projeto com o financiamento de mil exemplares da revista impressa. Com o objetivo de se tornar autônomo e sustentável, o trabalho tem sido levado com seriedade e já teve resultados: a recepção do público foi acima da esperada e animou Denize, que afirma que já tem recebido propostas para dar continuidade à publicação em larga escala.

“Muitas pessoas querem um exemplar e as que já leram estão comentando sobre sua satisfação e parabenizando os estudantes pela postura profissional que tiveram, de modo que estamos solicitando a impressão de mais um quantitativo, pois temos recebido convites para o lançamento da revista em diversas universidades”, explica Denize.

Com o intuito de ser atraente e se comunicar com um público segmentado, a seleção de pautas teve de ser minuciosamente detalhada. “Foram várias reuniões onde apareceram diversas pautas, mas, infelizmente, não foi possível colocar tudo que gostaríamos. Entretanto, pretendemos dar continuidade e já temos um elenco de temas para os próximos números, todos discutidos pelo grupo e sugeridos por diversos segmentos da própria universidade”, afirmou a docente, que ressaltou que a ideia não é fazer “uma publicação institucional que faça propaganda das ações já desenvolvidas pela UFRB e sim que seja um canal de comunicação com o público estudantil”.

Já a editora chefe da Afirmativa fala sobre o que faltou na primeira edição. “Sentimos muita falta da representação dos povos indígenas na revista. Como acreditamos na auto-representação, ninguém ousou fazer nada sobre a temática. Na verdade, vocês podem até nos ajudar, pois procuramos jovens indígenas de jornalismo/comunicação a fim de bancar uma empreitada”.

Com as próximas três edições garantidas e com o apoio da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi – Ba), os trabalhos estão sendo desenvolvidos em torno do crescimento deste projeto, que deve ganhar até um portal, que está em fase de construção. Para mais informações a respeito, visite a página da publicação no Facebook.

Com supervisão de Vanessa Gonçalves

Leia também