Opinião: Contextualização da morte de MC Daleste marca reestreia de "A Liga"

Fabio Maksymczuk | 19/07/2013 15:15
Na última terça-feira (16/07), a Rede Bandeirantes estreou a quarta temporada de “A Liga”. O retorno do programa surpreendeu nos índices de audiência. A atração ficou na vice-liderança com expressivos 11 pontos de média. Ainda alcançou o 1° lugar por 27 minutos.  Festa na Band. 
 
Nesta temporada, Mariana Weickert, Rita Batista e China se juntam aos veteranos Thaíde e Cazé. Os apresentadores passaram um ar “underground”. Até mesmo Rita entrou nesse clima. O visual da baiana não lembra os áureos tempos do vespertino “Muito +”. 
 
Nesse primeiro episódio, “A Liga” contextualizou a morte do MC Daleste. O programa retratou os bastidores do funk ostentação, ritmo menosprezado pela grande mídia, mas que alcançou  repercussão , graças à internet. Sinais dos tempos. 
 
Os apresentadores capturaram as declarações dos “funkeiros”. Não ocorreu uma visão singular de cada um, diante do fenômeno. Confesso que desconhecia essa vertente do funk. As letras das músicas são recheadas de marcas de objetos de luxo e grifes de roupas. Não vale falar champanhe. Tem que entoar “Chandon”. Mostrar que é bem de vida. Andar com carros de 100 mil reais pelas ruas de São Paulo. Mostrar riqueza. Joias. Ouro. Relógios. Bonés. Roupas de marca. A mulher também entra na ostentação. Serve de objeto (e elas topam). O que vale é a imagem. 
 
Isso também se insere no atual momento das redes sociais.  No facebook, os internautas ostentam felicidade. Viagens internacionais. Sintoma da nossa sociedade. O “ter” vale mais que o “ser”.  Um MC e empresário resumiu bem em uma frase o fenômeno. “Você se sente um cidadão”, salientou. Até mesmo em uma esmola, a ostentação aparece.  MC Bill deu 100 reais para um morador de rua. Tem que se mostrar.
 
Após o assassinato de MC Daleste, familiares do rapaz participaram do programa “A Tarde é Sua”, na RedeTV!. O pai do assassinado revelou que a causa seria a inveja. Diante do que foi mostrado no programa da Band, a justificativa tem alguma razão. MC Daleste integrava esse universo. 
 
O programa da Band foi muito feliz ao abordar os adeptos do ritmo musical nesse momento de comoção entre os fãs de Daleste. Os índices de audiência refletiram a busca de mais informações, por parte dos telespectadores, diante do fenômeno menosprezado pela própria TV brasileira.
 

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