Raul Reis, da Florida University, aponta caminhos para mídia sobreviver à era digital

Luiz Gustavo Pacete | 12/09/2012 11:15
Convidado para debater o futuro do jornalismo e os novos desafios da imprensa, Raul Reis, da Florida International University, abriu o primeiro painel do mídia.JOR destacando as revoluções ocorridas na indústria da comunicação e os próximos passos a serem tomados pelas empresas jornalística que querem sobreviver ao mundo digital.

Para Reis, a chave de todo o processo de mudança está na adesão e difusão de novas tecnologias. “A tecnologia afetou tanto nossa indústria e nossa profissão que não percebemos mais o quanto precisamos dela para sobreviver”. O especialista reconhece os lados positivos do mundo digital que vão desde o acesso a banco de informações, o fim de barreiras geográficas, a censura e a capacidade quase ilimitada de educar e informar o público.
Alf Ribeiro
Raul Reis

“O impacto também se dá de forma negativa. A internet pode tornar jornalistas mais preguiçosos e dependentes de informações mais digeridas”, destacou. O acadêmico criticou os exageros dos veículos em apurar e publicar notícias com rapidez, mas sem se preocupar em apurar e checar rigorosamente as informações. 

Apesar do quadro positivo, Reis chamou a atenção dos veículos de comunicação para o que será feito de agora em diante. “Será que o jornalismo vai continuar a adotar e se beneficiar desses avanços? Na minha opinião, só irão sobreviver as empresas que adotarem, aperfeiçoarem e difundirem esses avanços e inovações”.

Reis enumerou três importantes tendências no jornalismo do século XXI 

1 – Uso das redes sociais por jornalistas: Redes sociais incluem compartilhamento de conteúdo nas mais diversas linguagens. Interagir com audiência, receber sugestões, encontrar fontes de informações, conectar-se com outros jornalistas, criar e difundir suas próprias reportagens e desbancar rumores e fofocas. 

2 – Hiperlocalidade e jornalismo nicho: O jornalismo comunitário e a reportagem sobre o cotidiano das pessoas tem se mostrado cada vez mais forte e relevante. A mídia tradicional está dando muito mais valor a essa hiperlocalidade.

3 – Modelos de financiamento: Você vê declínio na assinatura e na publicidade e percebe que os veículos precisam cobrar pelo conteúdo. As empresas tradicionais precisarão encontrar suas maneiras de capitalizar o conteúdo.