“The Economist” declara apoio a Aécio Neves; Dilma Rousseff rebate a publicação

Redação Portal IMPRENSA | 17/10/2014 13:30
A revista britânica The Economist afirma que o Brasil precisa de mudança para os próximos quatro anos. Em artigo, a publicação defende a candidatura de Aécio Neves (PSDB) acreditando que ele poderia ajustar os rumos do país diante dos problemas macroeconômicos. Embora reconheça o pleno emprego e as políticas sociais como trunfo do governo atual, reitera que os ajustes necessários seriam feitos apenas pelo presidenciável tucano. 

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Revista declara apoio e presidente responde as críticas

Segundo a BBC Brasil, a revista manteve uma opinião manifestada nas últimas eleições. Em 2010, "The Economist" afirmou que o candidato José Serra "seria um presidente melhor do que Dilma Rousseff (PT)". Na última quinta-feira (11/10), a publicação ressalta que "Neves merece vencer. Ele fez uma campanha persistente e provou que pode fazer suas políticas econômicas funcionarem". Há quatro anos, a semanal inglesa foi criticada por Dilma após pedir a demissão de seu ministro da Fazenda — Guido Mantega. 

No ano seguinte, fez novas críticas ao PT chegou a comparar a presidente com a chefe do executivo argentino Cristina Kirchner, pela demasiada interferência na economia do país. Em "Por que o Brasil precisa de mudança", Economist justifica o apoio ao candidato presidenciável ao afirmar que a promessa de crescimento deixada pelo governo Lula deixou de ser cumprida. Para ela, após as jornadas de junho, "era de se esperar que os brasileiros dispensassem Dilma já no primeiro turno".

Ainda de acordo com a semanal, Aécio Neves "está tendo dificuldades em persuadir os brasileiros mais pobres de que as reformas que ele defende - de que o país necessita urgentemente - irão beneficiá-los, e não prejudicá-los". "Se o Brasil quiser evitar outros quatro anos à deriva, é vital que ele consiga fazê-lo". O candidato esbarra, também, no que seria um trunfo de sua adversária.

Conforme conta o veículo, há “gratidão popular pelo pleno emprego, maiores salários e uma série de programas sociais eficientes - não só a transferência de renda do Bolsa Família, mas casas a preços populares, bolsas estudantis e programas de eletricidade e água no Nordeste". “São verdadeiras conquistas. Mas ao lado delas estão erros maiores, mas pouco palpáveis, na economia e na política".

Especializada em economia, a revista defende as propostas de Neves para a condução do setor e diz que ele é assessorado por uma equipe "impressionante”. Um dos membros de grande relevância seria o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. A campanha presidenciável, em sua avaliação, revelou "falhas de Neves como candidato", como a suspeita gerada pela construção do aeroporto em Cláudio (MG), além da “sorte” ao obter o apoio de Marina Silva para ajudar a elegê-lo. 

Dilma responde

Em contrapartida, a presidente Dilma Rousseff comentou o posicionamento da Economist em favor de seu adversário em evento realizado nesta sexta-feira (17/10). "As revistas do mundo, tanto estrangeiras quanto nacionais, têm direito de tomar uma posição política. Agora, eu sei a filiação da Economist, é uma revista ligada ao sistema financeiro internacional".

Para o economista e professor da ESPM Rio, Roberto Simonard, o artigo não surpreende e segue uma linha exposta pela semanal. "É de se esperar, porque é uma revista de posicionamento liberal", salienta. "A política da Dilma é mais intervencionista do que a do Lula e a Economist acha que este maior grau de intervenção seria o responsável pelo Brasil estar apresentando menores índices de crescimento. Junte-se a isso o fato de que Armínio Fraga, cotado como ministro da Fazenda, é alguém muito respeitado no exterior”, disse.

Simonard disse ainda que o artigo poderá ter impacto entre os eleitores brasileiros. "Pouca gente lê The Economist. Mesmo que a campanha de Aécio use o artigo, isso é algo que tem dois lados. Pode ser visto como uma coisa positiva ou negativa, por ser considerado intervenção estrangeira", afirma.

Por outro lado, a Forbes publicou no início de outubro um texto dizendo que "o Brasil está melhor" após Dilma e que ela deverá fazer as mudanças necessárias na política econômica. Um mês antes, a mesma postou as "cinco razões pelas quais a presidente Dilma Rousseff não deve ser reeleita".

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