Autor de livro sobre vazamentos de Snowden, Greennwald recebe prêmio alemão de literatura

Redação Portal IMPRENSA | 02/12/2014 15:00
O jornalista britânico Glenn Greennwald foi agraciado com um renomado prêmio alemão de literatura na noite da última segunda-feira (1/12) em Munique, na Alemanha. O Geschwister-Scholl foi entregue pelo seu trabalho no livro “Sem lugar para se Esconder”, em que conta as reuniões que teve com o ex-agente da Agência Nacional de Segurança dos EUA.

Crédito:Agência Senado
Para jurados do prêmio, livro de Glenn é informativo

O profissional foi um dos responsáveis pela divulgação dos documentos sigilosos vazados por Edward Snowden no meio do ano passado. Neles, constavam informações que provavam que o governo norte-americano espionava os seus cidadãos, empresas e até líderes mundiais, como a chanceler alemã Angela Merkel e a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff. 

No ápice das revelações dos relatórios secretos, os parlamentares brasileiros discutiram a aprovação de um Marco Civil da Internet, que pudesse proteger os interesses do país e do internauta e ressalvar a segurança na rede. No primeiro semestre deste ano, o projeto foi aprovado. Como uma constituição da web, define os direitos e obrigações a serem cumpridos pelos usuários.

Uma iniciativa semelhante apresentada em parceria Brasil-Alemanha foi apresentada as Nações Unidas e, na última semana, reiterada pela III Comissão da Assembleia Geral da organização, com a adesão de 55 países. Na obra agraciada com o prêmio de literatura, Greennwald também trata dos problemas trazidos pelo programa de monitoramento americano para a democracia no mundo.

Segundo a Deutsche Welle, parte das revelações contidas na publicação já havia sido divulgada anteriormente pelo jornal britânico The Guardian, no qual o repórter produzia reportagens. Nos Estados Unidos, o livro chegou a figurar na lista das obras mais vendidas durante seis semanas.

Na decisão que avaliou o nome do jornalista, o júri do Prêmio Geschwister-Scholl considera o livro como “esclarecedor” e diz que o comunicador demonstra ter uma “grande coragem” ao revelar os documentos sigilosos da Agência Nacional de Segurança dos EUA, (NSA, na sigla em inglês). 

O corpo de jurados afirma, ainda, que por meio do livro o mundo "pode ter uma visão mais detalhada dos perigos do nosso tempo". O nome do prêmio, (Geschwister-Scholl ou Irmãos Scholl, em tradução literal), faz referência a Hans e Sophie Scholl, membros do movimento estudantil de resistência Weisse Rose, (Rosa Branca), que combateu o nazismo de forma pacífica. 

A dupla de estudantes foi presa e morta em 1943. A premiação foi criada em 1980, e, a cada ano procura reconhecer uma obra que tenha mostrado independência intelectual e luta pela defesa de liberdades civis e da coragem moral. O mesmo título já foi dado a nomes da literatura mundial.

Nas edições anteriores, o prêmio já foi entregue ao escritor chinês Liao Yiwu, ao ex-ativista e atual presidente da Alemanha, Joachim Gauck, ao controverso autor israelense David Grossman e a jornalista russa Anna Politkovskaya, que recebeu uma homenagem póstuma em 2007.

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