Vice-diretora do ICIJ diz que é um erro pedir à Suíça informações sobre o caso HSBC

Redação Portal IMPRENSA | 04/03/2015 10:00
A vice-diretora do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e coordenadora do projeto SwissLeaks, Marina Walker, afirmou que solicitar à Suíça os dados dos correntistas do caso HSBC é um erro.

Crédito:Reprodução/Twitter
Marina Walker diz que jornalistas e governos devem instar o governo francês sobre escândalo SwissLeaks

O projeto reúne repórteres de 45 países para investigar contas mantidas no HSBC de Genebra. Dados revelaram que políticos, empresários e criminosos usam o banco para ocultar recursos dos fiscos de seus países. No Brasil, as informações foram publicadas pelo jornalista Fernando Rodrigues, em seu blog no UOL. 

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Marina ponderou que "seria estranho pedir os dados do HSBC ao governo suíço, que processa Hervé Falciani, o técnico de informática que roubou os dados".

Para a jornalista, o caminho mais assertivo para apurar com rapidez as contas é procurar a França, que obteve os dados em 2010. "O governo francês já compartilhou dados do HSBC com governos do mundo inteiro que os requisitaram", explicou.

O caso SwissLeaks também gerou debate quanto à cobertura da imprensa após acusações que os veículos estariam omitindo informações para proteger políticos. No último domingo (1/3), a ombudsman da Folha, Vera Guimarães Martins, comentou o assunto e descartou a acusação. 

Vera afirmou que é ingênuo acreditar na possibilidade de guardar em segredo "uma grande história". "O erro é tanto mais primitivo no caso do SwissLeaks, cujos dados foram compartilhados por mais de 140 profissionais espalhados por 45 países. Faça um exercício, leitor: pense por dois segundos na palavra jornalista (e no que ela significa) e multiplique por 140: o resultado será qualquer coisa incompatível com segredo", defendeu.

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