Mortes pelo EI contribuem para o retrocesso da liberdade de imprensa; conheça os jornalistas

Gabriela Ferigato | 29/04/2015 15:15



A liberdade de imprensa “regrediu brutalmente” no mundo em 2014, aponta a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), e as ações do Estado Islâmico (EI) contribuíram para esse cenário. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, o grupo executou 2154 pessoas desde que declarou um califado nas zonas sob seu controle na Síria, em junho do ano passado. 

Jornalistas e fotógrafos estão entre as vítimas do EI. O norte-americano James Foley foi o primeiro a ser executado pelo grupo, em agosto de 2014, sendo a primeira morte gravada e divulgada na internet.
Crédito:divulgação
James Foley
Foley, que tinha quarenta anos, cobria como freelancer as guerras no Afeganistão, Líbia e Síria para a agência AFP e o portal de notícias GlobalPost, entre outros veículos, quando foi capturado por homens armados no norte da Síria, em novembro de 2012.

Antes de se tornar jornalista, foi professor no Arizona, em Massachusetts e em Chicago (EUA). Em 2011, cobriu a insurgência contra o coronel Muammar Khadafi na Líbia. Em abril do mesmo ano, ele e outros três jornalistas foram capturados em uma emboscada das forças de Khadafi. O fotojornalista Anton Hammerl foi morto, já Foley foi detido e libertado seis semanas depois. O acontecimento, no entanto, o motivou a cobrir a situação da Síria. 

Crédito:reprodução
Steven Sotloff
O jornalista Steven Sotloff, também norte-americano, de 31 anos, foi morto duas semanas após Foley, em setembro de 2014. O repórter havia desaparecido na Síria em agosto de 2013. Ao longo de sua carreira, trabalhou para veículos como Time, World Affairs Journal e Christian Science Monitor.

No vídeo intitulado “O segundo recado para os Estados Unidos”, um homem mascarado – aparentemente o mesmo que aparecia no vídeo da execução de James Foley – cumprimenta o presidente Barack Obama e diz que está de volta devido à “política externa arrogante dos Estados Unidos para com o Estado Islâmico”.

Outras vítimas

No dia 31 de janeiro deste ano, o EI divulgou um vídeo com a execução do jornalista japonês Kenji Goto, 47 anos. Profissional freelancer, Goto criou uma empresa de produção de vídeo, a Independent Press, em Tóquio, em 1996. A companhia fornece vídeos e documentários sobre o Oriente Médio para canais de televisão japoneses. 

O jornalista também escreveu diversos livros relacionados a suas reportagens. Dentre eles, o “Queremos a paz e não um diamante” recebeu o prêmio de melhor obra do ano pelo jornal Sankei Shimbun e pela Fuji TV em 2005. 
Crédito:reprodução
Kenji Goto


Seus trabalhos eram focados, principalmente, em reportagens relacionadas a zonas de conflito, refugiados, miséria, AIDS e educação. Goto viajou para a Síria no final de outubro de 2014 e desapareceu logo após sua chegada no país.

Desde junho do ano passado, quando o EI assumiu o controle de Mosul, no norte do país, vários jornalistas foram assassinados na região. Em março deste ano, o repórter Fadel Ahmad Hasko al Hudeidi foi morto acusado de cooperar com o governo xiita do Iraque. 

No mesmo mês, Raad Mohamed al-Azzawi, que trabalhava como câmera da TV Sama Salah Aldeen, foi decapitado na cidade de Samarra. Ele também havia sido raptado pelo grupo há cerca de um mês.

Nascido em 1956, Hudeidi trabalhou em vários jornais iraquianos como Sada al Iraq e era editor do jornal Mosul al Yom. Seif al Hudaidi, seu filho mais velho, morreu em 2014 durante a explosão de uma bomba no carro de seu pai.

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IMPRENSA promove, no próximo dia 04/05, o “7º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia”, em Brasília (DF). O evento, que contará com a presença de jornalistas e artistas de todo o país, discutirá os limites, os direitos e os deveres da liberdade de expressão em âmbito nacional e internacional.

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