Chargistas fazem graça com lei das biografias não autorizadas no Brasil

Maurício Kanno | 02/12/2013 12:00

De carona na polêmica sobre a liberação das biografias não autorizadas, diversos cartunistas fizeram graça com o assunto. Nani Lucas foi o campeão em produção a respeito: quatro charges, quase todas sobre Roberto Carlos. Uma delas mostra seu obituário cheio de frases censuradas.


Crédito:Aroeira
Monte Rushmore ganha as caras de músicos brasileiros no lugar de míticos presidentes norte-americanos 

O cantor, aliás, é favorito omo alvo para a piada visual. Luiz Fernando Cazo, que produz para jornais de Jaú e Americana (SP), retratou o "Rei" dando uma resposta arrogante diante de um menino questionador. E considerou inteligente a posterior atitude conciliatória do astro. “Acho que ele percebeu que o assunto estava ficando ruim para a imagem dele.”

O cartunista Pelicano, de Ribeirão Preto (SP), brincou com a polêmica mostrando outro garoto dando uma de esperto diante de um relatório escolar sobre seu mau comportamento. Ele responde ao pai que aquilo é “biografia não autorizada”, dando a entender que a informação não deveria ser levada em consideração. “Também tinha feito outra charge com criança, na época de lei contra palmadas, fazendo-a invocar seu advogado e o tribunal”, lembra o artista.

Crédito:Pelicano
Charge leva assunto das biografias ao mundo infantil escolar
Charge leva assunto das biografias ao mundo infantil escolar

Fofoca
Outro cartunista que preferiu levar o assunto para longe da seriedade e gravidade do problema foi Ivan Cabral, do potiguar Novo Jornal. Na charge, ele imaginou uma fofoqueira justificando-se como “produtora de biografias orais não autorizadas”. 

Um tom mais épico foi assumido por Renato Aroeira, no jornal O Dia!. Com seu traço, os quatro míticos presidentes norte-americanos esculpidos no Monte Rushmore se transformam nos músicos brasileiros Roberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. 

Segundo o chargista, o monumento é associado a “um tipo de ‘pequeno fascismo’, que perpassou a sociedade americana na reconstrução pós-depressão e ao culto à personalidade”.

Crédito:Roque Spon Holz
Charge lembra que a Bíblia não teria tido a autorização para biografar Jesus Cristo
Para charge, Bíblia não estaria autorizada a biografar Cristo
Avançou ainda mais na carga Roque Spon Holz, do Paraná. Ele destacou em sua charge que a Bíblia, “biografia mais vendida e conhecida do mundo, nunca teve autorização do biografado”, que inclui Jesus Cristo. Então Deus - ou seu filho - aparece, ameaçando processo!

O santista Ed Carlos foi, provavelmente, o primeiro a desenhar sobre o tema, em abril, para o Município Dia a Dia, de Santa Catarina, quando o projeto de lei que libera biografias não autorizadas foi aprovado na Câmara dos Deputados. No entanto, ele não sabia que o assunto ia ficar tão quente. “Na época foi mais para criticar o [deputado federal] Marco Feliciano, que na charge confunde seu diário com um livro sobre ele.” 

O cartunista Alpino, que publica diariamente no portal Yahoo! Brasil, usou seu próprio hábito em livrarias para brincar com a polêmica. “Tenho mania de sempre perguntar aos atendentes onde encontrar o livro em vez de ir direto às seções.” E imaginou uma biografia sobre José Dirceu na seção policial. 

No entanto, como exceção em relação à grande maioria dos colegas, ele se demonstra não interessado em biografias não autorizadas. “Elas são especulativas ao misturar fatos com boatos.” Alpino torce por um consenso entre as partes envolvidas: autor, biografado e editora. 

Veja as charges:




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