mídia.JOR debate relação, transformações e desafios do jornalismo com as mídias sociais

Jéssica Oliveira* | 12/09/2012 13:30
Nesta terça-feira (12/9), o segundo painel do mídia.JOR, “Diálogos I: Jornalismo e mídias sociais - relação, transformações e desafios”, trouxe Sérgio Lutdke, coordenador do Master, Guilherme Werneck, editor-executivo de mídias digitais da MTV Brasil, e Claudio Melqui, gerente do conteúdo cross media do R7. A mediação ficou com Edney Souza, da Associação Brasileira das Agências Digitais (Abradi).  

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Ludtke iniciou o debate sobre as possibilidades trazidas com a internet e suas características como: interatividade, diversos canais, fragmentação, fins dos ciclos de fechamento e a informação na órbita do leitor. O jornalista comentou como as redes sociais modificaram a ideia do fazer jornalístico. “As redes sociais potencializaram a participação do leitor”, afirma. 

Para ele, no Twitter, por exemplo, o repórter muitas vezes leva a notícia para a rede antes de levar para a redação, bem como aproxima jornalistas das testemunhas de um acontecimento. Ludtke defendeu ainda que o conceito de fechamento não existe nas mídias digitais.

O jornalista utilizou a morte de Bin Laden como exemplo de furo em redes sociais e para ressaltar que a mídia impressa tem o desafio de reinventar-se constantemente. 

Crédito:Alf Ribeiro
Discussão sobre redes sociais mostrou utilidade dela no jornalismo

Nesse cenário, o ciclo da vida informação é alterado, a notícia dura mais. Um dos detalhes que possibilita isso é o uso de memes que alimentam a informação por dias. “As redes sociais continuam alimentando a informação independente do tratamento dado a elas”, diz.

Diante dessas características, Ludtke defende que em qualquer redação os jornalistas devem estar preparados para fazer apurações em redes sociais e publicá-las nas redes sociais. “Não dá para ser amador, as redações precisam de preparo para monitorar redes sociais”, reforçou.

Guilherme Werneck, editor-executivo de mídias digitais da MTV Brasil, falou sobre o desafio da TV nas redes sociais. “Nas mídias sociais você deixa de ser uma emissora e vira um comunicador, deve dialogar”, disse, referindo-se a uma das características dessa relação. 

Werneck apresentou alguns projetos da MTV Brasil e afirmou que um dos principais é trabalhar as mídias digitais. No Facebook, por exemplo, além do perfil institucional, há os perfis de cada programa, alguns com maior número de “curtidores”. “Os trabalhos dos perfis dos programas no Facebook são diferenciados, mas estamos sempre conversando com as pessoas”, explicou. Além de Twitter e Facebook, a emissora também tem contas Google Plus, sendo o 7º perfil brasileiro da rede, e perfis no YouTube, Pinterest, Instagram (focado em bastidores) e Orkut (trabalho mais próximo aos perfis de fãs). “A MTV fala para um público que já é nativo digital”, disse.  

Para Werneck, se você quer aumentar o alcance da sua TV, não dá para pensar em algo sem redes sociais. “Sem elas não teríamos esse alcance”, diz. Outra característica da internet foi lembrada por Ludtke. "A internet tirou o grampinho. Eu não preciso comprar o pacote de informações, eu posso buscar a informação que me interessa", disse. 

Já Claudio Melqui, gerente do conteúdo crossmedia do R7, defendeu que o jornalista tem que aceitar que os profissionais da tecnologia, do design, da publicidade também fazem parte do trabalho. "As redações são híbridas." “Estamos passando da mídia de massa para massa de mídia”, aponta.

Melqui afirma que o estudante de jornalismo hoje não pode mais sair da universidade pensando apenas em escrever. "Nada contra com quem só quer escrever, mas esse novo mercado exige pessoas mais preocupadas. Você vai ter mais chances assim. É preciso entender que a coisa não compete mais, ela soma", diz.

Em seguida, Ludtke afirmou que a oportunidade do jornalista ter seus próprios canais é fantástica. "Antigamente, quando um jornalista mudava de um veículo dificilmente levava sua audiência. Hoje não", explicou. 

Werneck diz que não há duvidas que o profissional vai mudar. "Mas você não deixa de ser jornalista em nenhum momento. No Twitter, não existe uma conta corporativa, e uma pessoal. Sinto muito, você tem que tomar cuidado com o que você fala e publica", diz. Ludtke reforçou a opinião, afirmando que a privacidade acabou. "Com perdão do trocadilho, quem quer ter vida online, precisa andar na linha. Somos sempre pessoas públicas", diz. 

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves