'Vai ser uma guerra nuclear', diz Ascânio Seleme sobre as grandes coberturas de 2014

Redação Portal IMPRENSA | 07/10/2013 10:30

A conferência de abertura do primeiro dia da 2ª edição do mídia.JOR, com o tema “Os desafios da mídia nacional em ano de Copa do Mundo e eleições presidenciais”, contou com a participação do convidado Ascânio Seleme, diretor de redação de O Globo, que discutiu os bastidores do planejamento de um grande jornal em um ano tão rico de cobertura, como 2014. Este painel de abertura recebeu Augusto Nunes, apresentador do "Roda Viva" e colunista da Veja.com como moderador.


Crédito:Camilla Demario
Ascânio Seleme e Augusto Nunes debateram as grandes coberturas de 2014


Seleme começou sua carreira em Santa Catarina, onde nasceu, e tem passagem pela TV Cultura, Globo, foi correspondente internacional em Paris por quatro anos, e tem três prêmios Esso em seu currículo. Desde 2011 responde pela redação do jornal carioca. Confira entrevista:

IMPRENSA - Qual tema será abordado neste painel?
Ascânio Seleme - O meu painel fala sobre como uma redação se prepara para um ano desse tamanho, um “ano de guerra nuclear” como eu estou chamando, porque vamos cobrir Copa e Eleições, então eu vou mostrar números da nossa realidade porque realmente é uma loucura desde 1988, quando a Constituição estabeleceu eleição presidencial a cada quatro anos, que começando num determinado ano coincide com a Copa, então é uma guerra nuclear a cada quatro anos. 

As redações têm diminuído, mas o número de eventos e cobertura não. Como O Globo tem feito essa compensação?
A nossa redação até agora, por sorte, não diminuiu. Pelo contrário, nos últimos quatro anos a gente até cresceu um pouquinho. 

Houve aumento também para o digital?
O digital só faz crescer, tem 30% da redação dedicada exclusivamente ao digital, mas toda redação para o digital, é o nosso futuro, o futuro da humanidade (risos).

Esse futuro é promissor?
Para o digital sim, para nosso negócio [impresso] não posso afirmar, acho que até agora a gente não conseguiu transferir para o digital a receita publicitária que tinha no papel porque no digital concorremos com todo mundo, não só com produtores de conteúdo. A gente tem um índice absurdo de leitura, mas só agora estamos testando o paywall.

E como tem sido essa experiência?
Tem sido muito boa porque nós lançamos junto com o paywall o acervo, isso é um chamariz muito importante, porque são 90 anos de história lendo O Globo no acervo.

As redes sociais vão continuar tendo o mesmo peso de hoje?
Acho que sim, com a diferença que nas redes sociais não há produção de conteúdo, mas comentário de conteúdo. A gente tem políticas próprias de rede social. No caso do Facebook, temos restrições porque nós entendemos que o Facebook compete com a gente, então a gente não oferece conteúdo, nós provocamos o leitor, nosso “fãs”, com teaser tentando atraí-lo para o nosso site para ler o conteúdo. No Twitter a gente usa à vontade porque são remissões diretas para nossa página.

O Google News tem agora “Sugestão dos Editores”. Como O Globo vê essa iniciativa?
O Google News não cresceu no Brasil por causa de jornais como o nosso e da ANJ que, em reunião com veículos de peso, decidiu não oferecer conteúdo. O Google News é um sucesso no mundo inteiro e por falta de conteúdo de qualidade no Brasil a audiência é traço. Se você for procurar uma notícia sobre mensalão, por exemplo, você vai ler uma matéria do Público, de Portugal, ou da Folha de Araçatuba, então o leitor sabe que por ali ele não vai encontrar conteúdo de qualidade e desisti.    


O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo ( SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.             


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