"Precisamos trazer o consumidor real para dentro da conversa", diz Hugo Rodrigues

Camilla Demario | 08/10/2013 10:30

O segundo dia da 2ª edição do seminário internacional mídia.JOR teve início com o painel “Diálogos III – Jornalismo digital e Publicidade: os novos caminhos das marcas e criatividade online”, com participação de João Faria como moderador e Hugo Rodrigues, da Publicis, e Marcelo Andrade, da W/McCann, como convidados.


Hugo Rodrigues, COO&Chief Criative da agência de publicidade Publicis, primeiro criativo a assumir três agências da Publicis, vice-presidente da agência desde 2008, ganhou diversos prêmios internacionais em diferentes categorias, como Leão em Cannes em design, rádio, outdoor; foi eleito “Profissional de Criação do Ano” pela APP em 2008 e o único latino-americano convidado para o 1º Executive Jury do New York Festival em 2011.

Crédito:Alf Ribeiro
Para o publicitário, é preciso um maior diálogo com o consumidor para atender suas expectativas

IMPRENSA - O painel fala sobre novos caminhos para a publicidade digital. O otimismo de que esta publicidade vai dar certo vem de onde?

HUGO RODRIGUES - Foi como aconteceu com a mudança da máquina de filme para máquina fotográfica digital: em algum momento a própria indústria decidiu acabar com alguma coisa, não foi que alguém deixou de comprar, um dia você entrou na loja e não tinha mais, então você foi empurrado para um novo movimento e a gente está sendo levado para um que não é só digital, mas multiplataforma, que vai precisar ter pessoas multifacetas trabalhando, consumidores multiconectados. 

Mas nesse mundo multiplataforma, as mídias antigas não deixam de existir?

Nós falamos no painel sobre o número de plataformas que existiam há 15 anos e quantas existem hoje. Se você tentar perseguir seu consumidor, seu ouvinte, você vai ter que gastar milhões, porque ele está agora no celular, daqui a pouco ele vai estar vendo TV dentro do ônibus, ou no avião, com outro tipo de mídia. As possibilidades são infinitas. A certeza absoluta a gente não tem, mas a tendência é que os meios que nos conectam aumentem cada vez mais e a tendência é o mobile levar vantagem, porque vira rádio, TV, está na mão o tempo todo, mas até isso se concretizar, existe um caminho. Ele tem características mais favoráveis para ser o veículo do futuro, mas se isso vai acontecer, ninguém sabe.

Apesar dos estudos sobre novas possibilidades, o mercado segue conservador?
Tem um foco principal disso tudo que é o consumidor, que é também leitor, ouvinte, paciente, é a mesma pessoa que está do outro lado da mesa, que não é o publicitário, não é jornalista – nós somos apenas peças que atendem o consumidor. Então, muitas vezes, tem um discurso maravilhoso no Brasil, se tem uma ideia e uma estratégia maravilhosas, mas o consumidor não acompanha. De que adianta eu oferecer uma tecnologia de ponta se a banda larga do país não acompanha?

É uma falsa promessa, o consumidor vai se frustrar e não vai usar. O que adianta falar em vanguarda se, muitas vezes, o consumidor quer apenas se conectar com a novela? Do que adianta ter tecnologia se o consumidor quer simplesmente um celular com quatro chips para poder ligar mais barato? Então existe uma distância entre o que o consumidor está sinalizando e o que o mercado quer fazer.

A produção de jornalismo pelo consumidor é também uma tendência na publicidade?

Acho que a gente vai ter que dá uma voz cada vez maior ao consumidor. Antigamente, emitir uma opinião sobre uma marca era como falar dentro de uma caixa de sapato, era para você mesmo. Hoje, se você não gosta de alguma coisa e escreve no Facebook, pelo menos 20, 30 pessoas vão ler – e estou sendo modesto. Se você colocar no Facebook, no Twitter e no Orkut, você atinge mais gente. Então o consumidor quer participar, a gente sabe que ele quer ser ouvindo, mas a gente continua com medo das reações dele. Ódio e amor fazem parte da vida, a gente deveria ter medo da indiferença, mas não, a gente prefere se esconder e não provocar o ódio.


Então, na minha opinião, a gente precisa trazer o consumidor real para dentro da conversa para ele gerar conteúdo. De novo, se isso vai acontecer a gente não sabe, mas deveria ser assim, porque continuar se escondendo como um sorvete de baunilha não dá: sorvete de baunilha ninguém fala mal, mas também ninguém fala bem.


O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo ( SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.


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