Joana Calmon, da Globo News, fala sobre vida de correspondente e seu retorno ao Brasil

Camilla Demario | 08/10/2013 18:00
Joana Calmon, correspondente da Globo News na França, conta que desde pequena seu sonho era ser diplomata. Estudante de francês e inglês ainda na infância, a carioca fez intercâmbio na França e nos Estados Unidos para se aperfeiçoar. Foi na terra do Tio Sam que descobriu a paixão pelo jornalismo. “Me colocaram em uma aula que eu não gostei e lá você pode escolher. E a única que cabia naquele horário era de jornalismo. Acabei ganhando um prêmio do jornal do colégio e me apaixonei”, conta.

Ela conversou com IMPRENSA antes de sua participação no painel “Grandes Entrevistas – Visão de correspondente brasileiro no exterior: por trás das câmeras”, moderado por Moisés Rabinovici, editor do Diário do Comércio e ex-correspondente internacional, no segundo dia da 2ª edição do seminário internacional mídia.JOR.

Durante a palestra, uma novidade. Ela foi convidada pelo canal a retornar ao Brasil, como comentarista do "Estúdio I" e como repórter do programa "Mundo SA", depois de 11 anos morando fora do país. "Começo já na semana que vem. Estou muito motivada".

Crédito:Alf Ribeiro
Joana Calmon diz que perseverança é a chave para quem quer atuar no exterior


IMPRENSA – Como você se preparou para esta grande entrevista?
JOANA CALMON – Na verdade eu estou em Paris há 10 anos, então foi um exercício de memória para lembrar os mais pitorescos detalhes para tornar o bate-papo mais interessante e não contar apenas meu currículo e minhas experiências. Também as diferenças entre Brasil e França, como eu cheguei lá, porque as coisas foram acontecendo e você não se dá conta. O cargo de correspondente em Paris não existia, eu cavei isso e é uma coisa que eu quero explicar, porque ninguém chegou para mim e perguntou se eu queria ser correspondente em Paris, não foi assim. Eu criei essa vaga.

Já tinha vontade de ser correspondente? Era um objetivo profissional?
Quando era criança meu sonho era ser diplomata. Já aspirava viajar muito, estudar fora, aprender línguas. Depois pensei que se eu fosse ser diplomata meu marido não ia querer me seguir (risos), então comecei a pensar em Direito Internacional. Até que eu fui fazer intercambio nos EUA e me colocaram numa aula que eu não gostei e lá você pode escolher. E a única aula que cabia naquele horário era de jornalismo. Tinha que fazer o jornalzinho do colégio e me apaixonei, para desespero dos meus pais, que estavam investindo na minha carreira (risos). 

Qual principal diferença entre o jornalismo do Brasil e da França?
Lá é um jornalismo menos objetivo, nos jornais é muito clara a posição política, você sabe qual é de esquerda e direita, é mais analítico, acho que as reportagens de televisão vão mais a fundo, tem mais uma linguagem de documentário; não é melhor ou pior, mas acho que o jornalismo brasileiro se assemelha mais ao jornalismo anglo-saxão. Na França, cada matéria é uma aula, você termina sabendo tudo, talvez porque o francês tenha mais paciência de ficar na frente da televisão. É um slow journalism, no sentido de sentar e degustar o jornal.

Nesses dez anos, qual cobertura foi a mais marcante?
A queda do avião da Air France. Foi muito pesada, muito emocionante, dura – não só fisicamente, de ficar acordada até tarde, mas de estresse – e cobertura mais felizes como quando a gente, o Rio de Janeiro, venceu a candidatura para virar sede Olímpica foi muito emocionante também.

Que dica você dá para quem quer ser correspondente internacional?

Perseverança. Hoje em dia está muito difícil, mas você tem que conquistar o que você quer, ir atrás, não ter medo de fazer contatos e investir. Se tiver que fazer um estágio não remunerado, faça. Se tiver que virar a noite, vire. Você tem que investir na sua carreira, o momento é esse, de trabalhar, conhecer as pessoas, encontrar com elas, acompanhar o trabalho de quem sabe fazer, ter um modelo e tentar segui-lo e não desistir, porque é muito difícil, mas se investir tempo e abrir mão de uma remuneração melhor para trabalhar em um lugar onde pode fazer networking, isso pode te ajudar no futuro. 


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