Rubens Valente crê no jornalismo investigativo como solução financeira para os jornais

Camilla Demario | 09/10/2013 14:00
O painel “Diálogos VIII – Jornalismo investigativo: ferramentas e conflitos na apuração” trouxe como convidado Rubens Valente, repórter da Folha de S.Paulo, da sucursal de Brasília. Com passagens pelo O Globo, Jornal do Brasil e Veja, está no veículo de São Paulo há 12 anos. Já recebeu prêmio Grande Reportagem da Folha e prêmio Esso de reportagem em 2001, pelo O Globo.

Crédito:Alf Ribeiro
Rubens Valente acha que pautas investigativas podem dar respiro financeiro aos jornais impressos

Valente acredita que o jornalismo investigativo no Brasil, devido aos avanços tecnológicos, tem muitas possibilidades ainda. “Sou ruim de prognósticos, não tenha a menor ideia de como vai ser no futuro. Vejo o jornalismo hoje na maré alta, ainda sem saber aonde e quando a onda vai quebrar”, disse.

“Nesse contexto de revolução tecnológica, o jornalismo investigativo segue como uma opção editorial, uma solução financeira quase, no sentido de oferecer ao leitor um material de qualidade, mais aprofundado, que ouça muitas fontes, faça resgate histórico, com acesso a documentos históricos, que aponte irregularidade. Um olhar menos superficial e ligeiro da realidade”, ressaltou.

Mesmo assim, o jornalista revela que sua preocupação maior é com os métodos usados para fazer matérias investigativas do que os meios na qual será publicada. “Não entendo nada de tecnologia e na verdade fico um pouco entediado com essa discussão porque ela é muito precária, está em evolução ainda, não consigo dar muita atenção. Estou preocupado com a produção do jornalismo, que vai ser divulgado em qualquer meio: rádio, papel, TV. O que é importante discutir é a produção”, disse.

Ainda sobre a influência da internet no jornalismo investigativo, ele ressalta a importância deste momento de indefinição para o surgimento de soluções criativas. “O jornalista fica mais ativo porque tem que encontrar novos caminhos para a sobrevivência. Isso é o lado positivo da crise que remodelou veículos e que traz personagens novos para a cenas; antes eram os blogs, hoje já é a Mídia Ninja. Eu vejo um diálogo, não uma ruptura”, conclui.

O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo (SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.

Leia também
Mudanças políticas no Brasil tornaram a pauta mais interessante, afirma Pierre Ausseill
-
 Especialistas ressaltam a importância das mídias sociais para promover marcas
-
 "Acham que ser correspondente é sexy", afirma Todd Benson, da Reuters