“Apagão” em debate resulta na rescisão de contrato de diretor de fotografia da Record

Christh Lopes* | 23/10/2014 15:00
Uma queda de luminosidade durante a fala da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) no debate promovido pela Record no último domingo (19/10) teria causado a demissão do diretor de fotografia Joyme Nakayama. Responsável pela iluminação do cenário, o funcionário foi alertado sobre o encerramento de seu contrato na quarta (22/10).

Crédito:Reprodução/Reality Social
Falha na iluminação de Dilma em debate gerou cortes na Record

Durante o debate presidencial, a luminosidade do programa oscilou e chegou a ser chamada de "apagão" pelos eleitores nas redes sociais, segundo o jornalista Daniel Castro, do portal Notícias da TV. Numa fala de Dilma no primeiro bloco, uma movie light (um tipo de spot) começou a piscar.

IMPRENSA apurou que o diretor dispensado atuava na emissora em regime de contrato de prestação de serviços. Com mais de 40 anos de experiência, ele comandava uma equipe responsável por trabalhos em diversas emissoras do país.

A repercussão negativa do "apagão" nas falas de Dilma aborreceu a alta cúpula do canal, que decidiu pela rescisão do acordo com Nakayama. A falha técnica ocorreu em razão da cor da roupa da presidente (branco). 

Técnicos em iluminação explicam que o uso de cores sólidas não é recomendável na televisão. Embora apresente uma mensagem ao telespectador, precisa utilizar uma determinada técnica para não resultar em problemas na imagem, como o que ocorreu no debate. Apesar da falha na luz no primeiro bloco, o problema foi corrigido no restante do programa.

Porém, a demora na correção do problema resultou de um erro técnico. As cinco linhas dispostas para a produção da atração – três de backup e duas para a operação – demoraram para responder. Os funcionários tinham apenas 15 minutos para solucionar o entrave, uma vez que a presidente chegou na emissora com a roupa na cor branca poucos instantes antes do horário marcado para o início da atração.

Conselheiros que compõem a direção do canal entendem que os responsáveis pela iluminação deveriam entrar em contato com as assessorias das campanhas para evitar a falha. Organizadora do programa, a equipe de jornalismo também não entrou em contato com a equipe que cuidava da iluminação do cenário, deflagrando uma falha de comunicação entre os setores que compõem o programa. Com o tempo limitado e a demora de resposta da operação, o ajuste de luz só pode ser feito durante o intervalo. “Foi uma surpresa desagradável”, diz um envolvido.

Procurada, a Rede Record garantiu à IMPRENSA que pretende esclarecer o episódio. 

Entenda o caso

No último domingo (19/10), a Rede Record realizou um debate entre os candidatos à Presidência da República no segundo turno. De um lado, estava à candidata Dilma Rousseff (PT) e do outro Aécio Neves (PSDB). Ambos obtiveram o primeiro e segundo lugar, respectivamente, na intenção de voto dos eleitores. Na ocasião, discutiram propostas para o país.

Na avaliação dos jornalistas, o programa poderia ser marcado pelo tom mais ameno dos postulantes ao Palácio do Planalto. A previsão aconteceu. Só que, no primeiro bloco, a presidente Dilma Rousseff (PT) parecia que dissertava na escuridão. Com problemas na iluminação, decorrentes de seu traje, a petista falava com uma luz opaca. Em certo momento, seu rosto não dava para ser visto.

O problema foi corrigido no segundo bloco, mas não passou desapercebido pelos internautas. Nas redes sociais, usuários de um microblog comentaram o episódio. "Cada vez que a Dilma dá uma resposta errada, a luz diminui", ironizou um usuário do Twitter. 

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

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