“Gazeta do Povo” faz nova leva de cortes e fecha duas sucursais; sindicato protesta

Christh Lopes* | 05/11/2014 16:30
O Grupo Paranaense de Comunicação segue tomando medidas para readequar a sua estrutura. Como resquício das mudanças, mais duas sucursais foram fechadas: Foz do Iguaçu e Londrina, no Paraná.

Crédito:Divulgação
Jornal fechou as sucursais de Foz do Iguaçu e Londrina; quatro jornalistas foram demitidos

Em razão do encerramento das atividades nessas localidades, quatro profissionais que produziam reportagens para o jornal de maior expressão da companhia, a Gazeta do Povo, foram dispensados. A ação rendeu uma nota de repúdio do sindicato de jornalistas do Paraná. A entidade alega desrespeito do grupo com os trabalhadores. 

Segundo o sindicato, a empresa tem obrigação de ter transparência em seus atos e revela que as demissões vêm sendo outorgadas há mais de três anos. Para registrar os casos, que citam também outras ações semelhantes de grupos que trabalham com comunicação no Paraná, chegou até a criar um instrumento de denúncia, o chamado “demissômetro”. O indicador revela que, ao todo, foram 287 demissões no período citado, sendo que o GRPCOM aparece na liderança do ranking.

Nessa nova leva de cortes, foram dispensados três jornalistas de sucursais da Gazeta do Povo no interior paranaense, além de um repórter fotográfico que trabalhava em Curitiba. O sindicato afirma, ainda, que um repórter da redação na capital solicitou desligamento e não há confirmação de que sua vaga será preenchida, totalizando cinco desligamentos só em novembro.

À IMPRENSA, o grupo reitera que “não é segredo” para ninguém que as dispensas são ocasionadas pela nova estrutura da empresa. De acordo com a assessoria do GRPCOM, o setor especial de mídia impressa da organização tem passado por transformações, o que amplia a necessidade de "uma revisão dos processos e dos produtos oferecidos, fazendo assim, uma readequação estrutural de todas as suas operações".

O grupo ainda afirma que a maior parte da equipe de jornalismo da empresa paranaense ficará centralizada na capital e as cidades do interior contarão com a equipe funcional de diários especializados, como o de Jornal de Londrina.

Sindicato protesta contra cortes

De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, 23 profissionais foram demitidos do diário Gazeta do Povo desde o início deste ano. De 2011 até hoje, foram 78 desligamentos realizados pelo grupo, sendo 43 do jornal, 25 da RPC-TV e 10 da Tribuna do Paraná. Procurado, o diretor de recursos humanos do jornal, Willian Zampini, afirmou à entidade os cortes fazem parte da política de contenção de gastos diante do crescimento do déficit no último período. 

Zampini aponta ainda o fechamento das sucursais como uma medida irreversível no momento, sendo que não há, a curto prazo, previsão para uma eventual recontratação. À IMPRENSA, O presidente do sindicato, Guilherme Carvalho, afirma que houve uma reunião informal com O dirigente da GRPCOM na qual o executivo manifestou que manteria as medidas realizadas com maior vigor em agosto; porém, extraoficialmente alegou “que a empresa passa por dificuldades financeiras e tudo mais”.

Ao defender a atuação do sindicato, Cardoso alega que houve uma assembleia com os jornalistas que foram demitidos até o momento. “A princípio as pessoas encararam as demissões com uma certa decepção. É o caso, por exemplo, dos jornalistas que trabalham nas sucursais, pois são aqueles que, muitas vezes, tiveram o seu trabalho reconhecido fora da própria empresa, inclusive com premiações”, afirma. 

Para o presidente do sindicato, o grupo de mídia atua no sentido de evitar com que as dispensas sejam caracterizadas como regime de demissão coletiva. Com mais de 50 funcionários, a empresa entraria nesta categoria se tivesse demitido 15 funcionários. Mas, para evitar regras trabalhistas, faz um processo de “conta-gotas”.

O sindicato afirma que está entrando com uma ação na Justiça para apurar essas dispensas pontuais, fugindo da legislação. “A empresa tenta descaracterizar a demissão coletiva. Em setembro fizeram exatamente 14 demissões de jornalistas e agora fazem mais cinco. No total, são 19, ou seja, já passou dos quinze mencionados [na lei]”, afirmou.

Na ação o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná exigirá a readmissão dos funcionários; mas sem grandes expectativas, a entidade reitera que o importante é posicionar o interesse da categoria para demonstrar que não está de acordo com as medidas adotadas. 

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves