Blogueiros de “Turismo” desmistificam glamour da profissão

Por Danúnia Paraizo | 05/12/2014 13:45


A ideia de ganhar a vida como viajante profissional pode ser tentadora para muita gente, principalmente, para os que atuam com comunicação. A possibilidade de escrever sobre lugares paradisíacos e ainda ser pago por isso é o sonho de muito jornalista, principalmente com as facilidades da internet e o engajamento das redes sociais. 

Não é à toa que os blogs profissionais de viagem ganharam popularidade no mercado, conquistando espaço como veículos de relevância e credibilidade. Com uma audiência de milhares de page views por mês, os meios de comunicação naturalmente também atraem grandes anunciantes, como companhias aéreas e agências de viagens interessadas em dialogar com um público altamente segmentado. 

Crédito:Divulgação
Altier Moulin, do blog Pé na Estrada
Para os profissionais de imprensa hipnotizados pelo canto da sereia, no entanto, blogueiros experientes dão logo o recado: apesar das oportunidades de tornar o blog em um negócio rentável, o mercado está cada vez mais saturado. Começar agora pensando em ganhar dinheiro pode ser a maior furada. “No segmento de viagens, as pessoas acham que vão poder viajar de graça. Mas para se sustentar só com o blog você precisa trabalhar muito. Não é algo que em um, dois ou seis meses terá retorno”, explica o jornalista Altier Moulin, do blog Pé na Estrada.

O espaço foi criado em 2008, mas só a partir de 2012 ganhou um ar mais profissional e com determinações claras sobre anúncios e publiposts. Ainda assim, com uma média de 100 mil page views por mês, o blog não é a principal fonte de renda do capixaba, mas é um abridor de portas. “É uma forma do meu trabalho ser visto. Através, dele, por exemplo, consegui uma proposta para escrever para um blog de uma agência de intercâmbio”.

Crédito:Arquivo Pessoal
Rafael Carvalho, do blog Esse Mundo é Nosso
Caminho semelhante teve o jornalista Rafael Carvalho ao criar o blog Esse Mundo É Nosso. Ele, que trabalha como coordenador de conteúdo web em uma grande emissora de TV, começou o espaço de forma despretensiosa. Era uma forma de contar para amigos e familiares sobre suas viagens, mas o projeto acabou virando seu segundo trabalho. Com média de 180 mil page views por mês, o blog sinaliza todos os posts patrocinados para manter o bom relacionamento de confiança com seus leitores.

EXPERIÊNCIAS

Uma característica que permeia todos os blogs da editoria é a prestação de serviço oferecida aos viajantes. Nesse sentido, o espaço funciona como um agregador de informações mais precisas sobre hospedagens e melhores destinos. Baseados nas experiências pessoais de seus autores, que legitimam os posts, os blogs conquistam porque criam identificação com os leitores.

Com objetivo de justamente compartilhar suas experiências e assim, ajudar mais pessoas a também encontrarem a melhor forma de viajar, a colunista de viagem do site do jornal O Estado de S. Paulo, Amanda Noventa, resolveu criar seu blog pessoal, o Be Happy Now
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Amanda Noventa, colunista do Estadão e blogueira do Be Happy Now
.                                      “Quando decidi fazer, não sabia muito bem do que falar. Falava de temas variados e muito das minhas viagens, experiências de ter morado fora. Fui percebendo que o pessoal gostava de ler sobre isso, então fui afunilando esse conteúdo”.

Ela, que já perdeu as contas de quantos destinos já visitou, explica que os lugares mais interessantes são os que diferem da cultura brasileira, e que em suas viagens procura sair de sua zona de conforto. Entre os países mais marcantes, destaque para a China e Bolívia. “Sou uma viajante normal como qualquer pessoa, não sou especialista. Acho que talvez por isso as pessoas se identifiquem. Tento viajar de forma espontânea, não como uma profissional”, destaca a blogueira.

Com proposta parecida, o jornalista Thiago Khoury criou em 2009 o Rodei, depois que fez seu primeiro mochilão pela Europa. De lá para cá, não parou mais de escrever sobre viagens. “Naquela época ninguém respondia minhas perguntas com a convicção que eu queria, foi aí que pensei: ‘alguém precisa dar essas respostas’. Seis meses depois Rodei foi ao ar. Hoje ele está em seu terceiro layout”.
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Thiago Khoury, do Rodei


Com mais de 200 mil visualizações por mês, o espaço não só contribuiu para o passaporte de Khoury ficar mais recheado. Ele foi responsável também de reviver a paixão do jornalista pela comunicação. “Quando o blog começou, eu estava prestes a largar o jornalismo e mergulhar de corpo e alma em outros negócios. Eu jamais imaginaria que aqueles textos fossem fazer com que eu voltasse para o caminho que escolhi trilhar lá atrás, quando escolhi cursar jornalismo”.